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José Esteves - Dean da Porto Business School
09:15

A Escola vai onde os ‘alumni’ lideram

Uma universidade internacional não é apenas a que recebe alunos estrangeiros. É a que constrói presença, reputação e impacto onde a sua comunidade atua.”

A internacionalização não é esperar pelo mundo no ‘campus’. É acompanhar os graduados nos lugares onde aprendem, decidem, empreendem e criam impacto.

Uma graduação não é o fim de uma relação. É o momento em que a escola começa a viajar através das pessoas que formou. O diploma não deve ser uma porta de saída, mas um passaporte: para novas geografias, novas responsabilidades e novas formas de regressar à comunidade que ajudou a construir esse percurso.

As melhores escolas de negócios do mundo perceberam isto há muito tempo. Harvard Business School, INSEAD ou London Business School não construíram reputação global apenas dentro do ‘campus’. Construíram-na onde os seus ‘alumni’ vivem, trabalham, lideram e abrem portas. Têm capítulos, embaixadores, ‘mentoring’, ligações a empresas e presença consistente nos lugares onde os seus graduados criam impacto. Os números impressionam. Mas, como em tantas outras coisas na vida, o que importa não é apenas o tamanho. É o que se faz com ele.

É precisamente por isso que a Porto Business School (PBS) dá agora um novo passo na sua expansão. Lançámos Alumni Chapters em Lisboa, anunciámos o lançamento dos Alumni Chapters São Paulo e Luanda, inaugurámos presença em Lisboa e estamos a construir uma rede de Global Chapters e embaixadores internacionais que continuará a crescer. Estes são os próximos destinos, não a linha de chegada. São o início de uma PBS mais próxima dos seus alumni, das empresas e dos centros de decisão onde a nossa comunidade já está a construir futuro.

Começar por Lisboa tem uma ironia deliciosa. Como ironizava Eça de Queirós em ‘Os Maias’, “Lisboa é Portugal” e “fora de Lisboa não há nada”. A frase envelheceu mal, felizmente. O Porto existe e recomenda-se, mas o sarcasmo ainda serve. Demasiadas decisões passam pela capital. Pois bem: a PBS vai. Não para pedir licença, mas para estar onde uma parte importante do país decide.

Mas não fazemos isto apenas por geografia. Fazemos por missão.

Quanto menos regional é uma escola, maior é a sua responsabilidade de acompanhar a comunidade que formou. Parece óbvio, mas no ensino superior as coisas óbvias, por vezes, demoram uma geração a chegar à ata da reunião. Uma escola com alunos de várias regiões, países e percursos não pode pensar-se apenas a partir da morada do edifício. A pergunta já não é: “Onde fica a escola?” É: “Onde está hoje a sua comunidade?”

Esta mudança é ainda mais evidente quando os modelos de aprendizagem se tornam híbridos, digitais e globais. Programas como o Flex MBA e o Online MBA, reconhecido entre os melhores do mundo pelo Financial Times, trouxeram à PBS participantes mais diversos, distribuídos e internacionais. Mas uma comunidade global não se constrói apenas com uma boa plataforma, uma password e uma ligação Wi-Fi razoável. Constrói-se com presença, intenção e continuidade. Se os alunos aprendem a partir de vários pontos do mundo, a escola tem de saber encontrá-los, depois, nos lugares onde criam impacto. Modelos globais de aprendizagem sem comunidades globais são apenas metade do caminho.

O ‘campus’ continua a ser casa. Mas uma casa demasiado fechada corre sempre o risco de se transformar em museu, e as escolas de negócios devem preferir movimento a conservação. Uma rede ‘alumni’ existe para encurtar tempo e distância: ligar graduados entre si e trazê-los de volta à Escola. Não necessariamente de volta ao ‘campus’, mas de volta à comunidade, à aprendizagem, à conversa que não deve terminar no dia da graduação.

Por isso, os Alumni Chapters não podem ser clubes de nostalgia. A nostalgia tem o seu lugar, geralmente entre um café, um reencontro e uma boa história sobre trabalhos de grupo que todos juraram nunca repetir. Mas não chega. Um “chapter” não é uma placa na parede, nem uma fotografia de inauguração, nem um grupo de WhatsApp, embora todos saibamos que, sem grupo de WhatsApp, hoje em dia nada parece verdadeiramente existir. Só cria valor quando transforma pertença em ação.

As redes globais de ‘alumni’ criam valor real quando transformam diversidade internacional em aprendizagem partilhada, melhores práticas e comunidades locais mais fortes. A diversidade, por si só, é uma estatística bonita, e o ensino superior já tem estatísticas bonitas em número suficiente. O valor nasce quando São Paulo inspira o Porto; quando Luanda ajuda Lisboa; quando Londres abre uma porta; quando a escola deixa de ser apenas o centro da rede e passa a ser o seu catalisador.

Este ponto é particularmente importante para Portugal. Durante demasiado tempo, confundimos internacionalização com mobilidade pontual, protocolos assinados e alguns semestres de Erasmus bem organizados. Tudo isto é positivo. Mas não é suficiente. Uma universidade internacional não é apenas a que recebe alunos estrangeiros. É a que constrói presença, reputação e impacto onde a sua comunidade atua.

Portugal tem uma oportunidade extraordinária: uma língua global, uma posição natural entre a Europa, África e a América Latina, talento reconhecido e uma diáspora profissional que chega mais longe do que, por vezes, a nossa imaginação estratégica. O que falta, demasiadas vezes, não é qualidade. É presença. É continuidade. É a coragem de deixar de esperar que o mundo venha ter connosco.

Esta agenda também deve interessar ao país. Governo, diplomacia económica, AICEP, associações empresariais e diáspora qualificada podem contribuir para estas redes — e beneficiar delas. ‘Alumni’ bem ligados são antenas de talento, reputação e oportunidade: aproximam empresas de decisores internacionais, identificam líderes portugueses e lusófonos em mercados estratégicos, criam pontes para investimento, recrutamento e inovação. Durante demasiado tempo falámos de fuga de cérebros como se o talento saísse do país e fosse imediatamente dado como desaparecido. Talvez esteja na altura de pensar menos em fuga e mais em circulação: talento que sai, cresce, lidera e continua ligado se o país souber manter a conversa viva.

As escolas que quiserem liderar o futuro terão de se mover com a sua comunidade. A Porto Business School está a dar este passo. Se o fizermos bem, os “chapters” serão mais do que pontos no mapa: lugares onde tempo e distância se encurtam, a pertença se transforma em impacto e a Escola continua viva na trajetória dos seus líderes.

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