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Mário Negreiros 14 de Abril de 2008 às 13:59

As FARC e o Brasil

Quem quer que se preocupe com Ingrid Betancourt ou com qualquer outro refém dos narco-guerrilheiros das FARC deve prestar atenção ao Brasil. O silêncio desse que é o mais poderoso e influente país da América Latina diante do drama dos reféns das FARC pode

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A explicação oficial é de que o Brasil não se quer intrometer em assuntos domésticos da Colômbia e, além disso, de que quanto menos interferir agora, mais apto estará, se chamado a isso, para servir de intermediário de negociações entre os narco-guerrilheiros e o governo colombiano.

A primeira parte da explicação tresanda a cinismo – desde quando é intrometer-se em assuntos domésticos prestar apoio a um governo no seu combate ao banditismo ou ao terrorismo (e as FARC dificilmente escapariam a um desses dois epítetos)? Só quem atribuir às FARC legitimidade equiparável à que atribui ao governo da Colômbia é que poderá ter escrúpulos de apoiar o governo colombiano contra os narco-guerrilheiros.

Quanto a o Brasil servir de intermediário, por mais calado que se mantenha, dificilmente reuniría as condições de credibilidade para tal – pelo menos enquanto for Lula da Silva o presidente. No mínimo ficaria sempre a dúvida quanto àqueles 5 milhões de dólares que o “relações públicas” das FARC no Brasil, “padre” Olivério Medina disse (gravado por um agente infiltrado da Agência Brasileira de Inteligência em 2002) terem sido distribuídos a cerca de 300 pequenos empresários simpatizantes do Partido dos Trabalhadores para que, por sua vez, os repassassem ao PT  para financiar a campanha de Lula a Presidente.

De resto, embora alguns dos mais destacados líderes do PT verbalizem (eventualmente, com genuína convicção) horror a um grupo armado que sequestra civis desarmados, o facto é que outros integrantes do partido de Lula da Silva prestam apoio explícito às FARC. E, no que se refere a apoios implícitos, é impossível  deixar de notar que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, divide com Manuel Marulanda Veléz – chefão máximo das FARC – e com outras figuras (Chico Buarque – caramba! – entre elas), as responsabilidades editoriais pela revista “América Libre”, que traduz as convicções do Forum São Paulo, que, por sua vez, pretende ser o veículo de debate dos caminhos da esquerda na América Latina.

PS: Vi há dias o vídeo do ex-deputado Oscar Tulio Lizcano a clamar por um acordo humanitário que ponha fim aos seus 7 (sete) anos de cativeiro. Estava cercado por quatro “soldados” das FARC. Um deles era mulher; outro, preto; outro, branco; outro indígena. Que lindo! Todos os sexos e todas as raças irmanadas na violência, na covardia e na torpeza.

PPS: Os soldados das FARC que apareciam a cercar Lizcano tinham uma expressão tão vazia de fervor quanto a dos soldados de qualquer exército regular. Confirmam-me a impressão de que o ingresso nas FARC é muito mais uma opção de carreira do que um chamamento ideológico (o soldo das FARC é superior ao pago pelo exército regular da Colômbia).

PPPS: Carros, rua!

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