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João Ferreira do Amaral
13 de Junho de 2007 às 11:10

Transportes urbanos

Vou voltar de novo aos transportes públicos urbanos. Faço-o porque julgo que é um dos temas que deviam merecer prioridade das nossas autoridades, quer a nível central quer local. Mas também porque me parece que o Governo - que do meu ponto de vista tem go

Vou voltar de novo aos transportes públicos urbanos. Faço-o porque julgo que é um dos temas que deviam merecer prioridade das nossas autoridades, quer a nível central quer local. Mas também porque me parece que o Governo - que do meu ponto de vista tem governado bem, com decisão e coragem e fazendo o que deve ser feito em muitos domínios - ainda não "entrou" nos transportes das zonas metropolitanas, ou pelo menos na de Lisboa, cujo caso conheço melhor.

Claro que a situação que a Câmara de Lisboa tem atravessado não tem sido a melhor para permitir uma concertação entre Governo e Município nesta como em outras matérias. Mas essa explicação não é suficiente.

Um primeiro exemplo é o da Carris. Foi permitido que esta, no ano passado, piorasse claramente a sua oferta, reduzindo o número de carreiras de autocarros e obrigando, assim, muitos utentes a mudar uma ou mais vezes de autocarro para percorrer um trajecto que antes faziam apenas num autocarro. Com todo o incómodo, mas muito principalmente com a enorme perda de tempo que tais mudanças acarretam. Estou convencido que, pelo menos no que respeita aos países europeus, onde estas coisas são decididas de forma mais racional e com mais respeito pelos utentes, não deve haver muitos casos em que os transportes públicos em vez de melhorarem, piorem. E isto porque as preocupações ambientais e de qualidade de vida das cidades levam a esmagadora maioria dos estados responsáveis a optar pelo transporte colectivo no que respeita às zonas urbanas.

O segundo exemplo que menciono tem a ver com a CP e a linha de Cascais. Não tem, em si próprio, o impacte da redução de oferta da Carris, mas tem um significado que é igualmente preocupante.

Tem-se verificado que, na linha de Cascais, quando existe um dia útil entre feriados ou fim-de-semana a CP, por sua alta iniciativa, suprime, sem dizer água vai, algumas composições. Ou seja, ao que parece, a CP entende que isto de responsabilidade de cumprir os horários afixados é algo do passado e o que verdadeiramente vale é a decisão de alguém que adequa a oferta de comboios à sua vontade ou aos seus caprichos. Podemos imaginar um senhor ou senhora Simões (o nome é completamente inventado), funcionário(a) da CP que, em cada dia decide quais os comboios que a CP vai fazer circular. Está chuva? Ora - diz o senhor Simões - vai menos gente trabalhar, logo cortamos metade das composições. Há uma transmissão directa da final da Taça dos Campeões Europeus? Claro - diz a senhora Simões, toda a gente vai ficar em casa, logo cortam-se os comboios.

Alguém mais picuinhas poderia, com alguma humildade, recordar que a empresa tem obrigações de serviço público que não pode descartar assim à sua vontade. Não sei mesmo se não incorre em penalizações por isso (se não incorre, deveria incorrer). Outros talvez mais impulsivos e sinceros dirão que o que a CP faz traduz um total desrespeito pelos utentes e é indigno de uma sociedade civilizada. Mas suspeito que nada disto tenha grande influência. Ou à partida se tem a noção de serviço público ou não são alguns protestos que fazem mudar as mentalidades.

A lição que tiro destes casos e doutros que poderiam ser descritos (como o do Porto, mas que conheço pior) é a seguinte:

A prioridade essencial aos transportes públicos nas zonas urbanas não está a ter tradução prática e nota-se nesse domínio um défice da acção do governo que tutela muitas das empresas que os oferecem.

Por isso, aí está um domínio da acção governativa onde são de desejar melhoras rápidas e corajosas - à semelhança de muitos outros domínios onde essa acção tem sido de louvar.

famaral@iseg.utl.pt

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