Lea Ypi: O ano que pode ser
Ao pensar no ano que se avizinha, dou por mim a regressar mais uma vez a Kant e ao seu lembrete de que, nos assuntos humanos, ninguém pode verdadeiramente prever o futuro.
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Nos últimos anos, em todos os meses de dezembro, recordo-me do momento em que Jeremy Corbyn, o então líder do Partido Trabalhista, na oposição no meu país de adoção, o Reino Unido, citou um discurso de Ano Novo que soava estranhamente familiar. “Este ano será mais difícil do que o ano passado”, afirmou. As palavras de Corbyn eram familiares porque ele estava a citar Enver Hoxha, o infame líder comunista do meu país natal, Albânia, que acrescentava: “Por outro lado, será mais fácil do que o próximo ano”. O comentário causou alvoroço, com alguns a vê-lo como prova de que o Partido Trabalhista se tinha transformado num culto marxista, enquanto outros censuravam a sua insensibilidade face aos traumas ainda em aberto deixados pelo passado comunista da Albânia.
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