André  Veríssimo
André Veríssimo 10 de maio de 2018 às 23:00

E o valor da sua pensão será...

Não é uma reforma da Segurança Social, mas é uma pequena revolução. O simulador de pensões estreado esta semana pode ser um simulacro, mas dá aos cidadãos um conhecimento e um poder sobre o pé-de-meia do Estado que não estava disponível até aqui.

Quem não adora um simulador? Preencher o IRS e ir lá clicar no botãozinho digital que calcula o reembolso? Poder fazer o mesmo em relação à pensão, mesmo com vários "suponhamos", é ainda mais tentador. Afinal, estamos a falar do rendimento que podemos aspirar ter quando pendurarmos, enfim, as botas. Não admira, por isso, que a ferramenta tenha sido acedida por 117 mil contribuintes em apenas 24 horas.

 

O simulador é uma pequena revolução. Em primeiro lugar pela transparência do Estado para com os cidadãos. Pela primeira vez é possível ter acesso a informação sobre os descontos para a Segurança Social e como é que eles afectam a pensão final. É até indicado o valor ajustado à inflação, o que facilita a percepção aos dias de hoje, embora a taxa de 0,5% seja algo conservadora.

 

A simulação pode parecer um simulacro, sobretudo para quem ainda tem uns bons anos até à reforma. Assumem-se necessariamente pressupostos para calcular os salários futuros. As contas são feitas com as regras actuais e estas são mutáveis, como os últimos anos mostraram. Ainda assim, pôr números concretos naquilo que era até aqui uma miragem faz toda a diferença.

 

É informação, informação é poder e poder é controlo. Essa é a outra grande diferença. Passa a ser possível perceber de forma simples que efeito pode ter uma reforma antecipada ou um ano sabático. Mais importante ainda: ter uma noção de qual pode ser a quebra de rendimento entre o último salário e a pensão que se receberá do Estado.

 

As medidas introduzidas por Vieira da Silva em 2007, como a contabilização progressiva de toda a carreira contributiva para o cálculo da reforma, significam que o Estado será menos generoso no futuro. É esse travão que explica que, depois de um aumento expressivo da pressão da despesa com pensões nas próximas duas décadas, ela acabe por ir baixando.

 

O simulador permite que cada contribuinte possa gerir melhor que poupanças deve fazer para conseguir manter o mesmo nível de vida na reforma. E isso faz dele um instrumento económico e de bem-estar social poderoso. Não resolve os problemas de sustentabilidade da Segurança Social, mas pode melhorar a sustentabilidade da vida de cada um após a reforma.

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