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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 20 de Dezembro de 2007 às 13:59

Orações ao Santo António

António Mexia e António Viana-Baptista têm várias coisas em comum além do nome próprio: ambos têm 50 anos; ambos pertencem a uma nova geração de gestores profissionais que está hoje na liderança de grandes empresas; ambos têm uma visão liberal da economia

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O presidente executivo da EDP é um homem controverso. Há quem o idolatre como um criador de valor, há quem o resuma a um construtor de aparências. É da geração Sócrates, também ele de 50 anos, que soma ao que faz uma compulsão por mostrá-lo. Quando António Mexia chama uma comitiva de jornalistas para mostrar que a EDP passou a ter cheiro a caule de rosa, tacto e música próprias, arrisca-se a ser visto como o Ratatui das empresas. Ou como visionário do marketing sensorial.

Mas os accionistas não compram cheiros mentolados nem vão em músicas zen. E o anúncio ontem feito de uma aquisição na Polónia tem a importância de abrir uma nova frente de mercado (o Leste europeu) e de fechar um ano muito activo na EDP. Sobretudo pelo negócio nos Estados Unidos: a compra da Horizon, em dólares desvalorizantes, aproveitou uma distracção das grandes empresas europeias (fixadas no estranho desenlace da OPA à Endesa) e um momento de mercado favorável. Dificilmente a EDP conseguiria fechar hoje um negócio daqueles. Mas esse foi apenas o ponto alto de um ano em que, como mostra o trabalho do editor Celso Filipe a páginas 8 a 10 desta edição, os lucros dispararam, a empresa garantiu o Alqueva, privatizou capital garantindo o controlo da posse (obrigações convertíveis que podem não vir a sê-lo), fechou com os argelinos da Sonatrach e enfileirou o Grupo Mello no seu núcleo duro.

A Polónia tem sido destino grato para as empresas portuguesas (incluindo a Jerónimo Martins, o Millennium bcp e a Martifer, com quem a EDP provavelmente se encontrará naquelas paragens). E a verdade é que depois de as telecomunicações terem dominado o noticiário económico nos primeiros meses deste ano e da banca ter passado, depois, a fazer metade das manchetes, é a energia que está a consumir atenções neste final de ano. Galp e EDP são as estrelas na Bolsa neste ocaso de 2007. A Galp disparou pondo os investidores em síncope, ao sabor das revisões ora optimistas (como da UBS) ora pessimistas (como noticiava a revista brasileira “Veja”) da dimensão do campo petrolífero de Tupi. A EDP segue no cone de sucção da Iberdrola Renovables e das energias renováveis.

Talvez Mexia venha um dia a encontrar-se com António Viana-Baptista, que faz esta semana 50 anos. Mas o presente pode ter saído a alguns empresários portugueses, que já o vêem como o D. Sebastião que pode salvar o BCP. O homem que fez uma aliança derrotada com a Sonaecom saiu ontem da Telefónica e passou a ser o elixir mágico para o Millennium, cabendo nas preferências de todos (incluindo BPI, Joe Berardo, provavelmente Banco de Portugal) e com a suprema vantagem de ter a “folha limpa”, de vir de fora, de ser cara fresca num dossier macilento. O seu nome circulava ontem com abundância, como mera conjectura (Viana-Baptista está de férias com a família algures nas Caraíbas) como as que vão queimando todos os dias putativas alternativas a Filipe Pinhal.

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