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COP27 sem ambição e avanços significativos na reta final

António Guterres fez um último apelo à ação na Conferência do Clima. Analistas e sociedade civil mostram-se descontentes com a evolução dos trabalhos e falam em falta de liderança política.

Sónia Santos Dias 18 de Novembro de 2022 às 09:25
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A poucas horas do final da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27), já começam a surgir reações de desilusão à falta de progresso e ambição dos líderes mundiais para combater as consequências das alterações climáticas.

Num último apelo à ação, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinhou que os líderes se encontram "na hora decisiva das negociações", mas que "as partes continuam divididas sobre uma série de questões significativas". Numa mensagem em conjunto com o presidente da COP27, Sameh Shoukry, António Guterres declarou: "Estou aqui para apelar a todas as partes para que estejam à altura deste momento e do maior desafio que a humanidade está a enfrentar. O mundo está a assistir e tem uma mensagem simples para todos nós: levantem-se e entreguem".

Recordando que os impactos climáticos estão a dizimar economias e sociedades, Guterres pediu ação em três áreas críticas: um "acordo ambicioso e credível" para apoiar as perdas e danos dos países em desenvolvimento; fechar compromissos para manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 graus, pois "não é simplesmente manter vivo um objetivo, trata-se de manter as pessoas vivas"; e pediu ainda um roteiro credível para os países desenvolvidos entregarem efetivamente os 100 mil milhões de dólares em financiamento climático para os países em desenvolvimento fazerem as transformações necessárias. "Devem fornecer o apoio de que os países em desenvolvimento necessitam para embarcar numa via de energia renovável e resistente às alterações climáticas", referiu Guterres.

Sameh Shoukry também reforçou que "embora tenham sido alcançados progressos num grande número de questões, é evidente que, nesta fase tardia do processo da COP27, há ainda uma série de mostras onde faltam progressos com persistentes opiniões divergentes entre as partes", acrescentando que "o programa de trabalho de mitigação ainda não atingiu o resultado desejado. A adaptação ainda está atrasada por questões processuais. Os resultados ambiciosos em matéria financeira ainda não se materializaram, e em matéria de perdas e danos as partes estão longe de tomar as difíceis decisões políticas".

Com data de fecho marcada para hoje, mas com perspetivas de as negociações ainda continuarem no fim de semana, o presidente da COP27 apelou a todas as partes para que "façam a milha extra para tomarem as medidas necessárias para chegarem às tão necessárias conclusões e acordos".

A associação ambientalista ZERO, presente em Sharm-el-Sheik, marcou ontem presença no Plenário dos Povos, um momento que uniu movimentos da sociedade civil para pedir uma resposta urgente aos negociadores. Segundo a ZERO, a mensagem é clara: "A sociedade civil está unida no propósito de chamar os líderes mundiais a assumirem a responsabilidade devida nestas negociações, para que possamos sair de Sharm El Sheikh com uma réstia de esperança no futuro da humanidade. O descontentamento com o progresso lento e tortuoso destes últimos dias é evidente e este evento, que culminou com uma marcha junto aos locais onde decorrem as negociações, serviu precisamente para o demonstrar e ressalvar que estamos atentos e exigimos melhor".

Na reta final da Conferência do Clima, Robert Pritchard, analista sénior da GlobalData, também se mostra dececionado. "Embora bem-intencionada, não fez os progressos necessários. No contexto da guerra na Ucrânia e da crise do custo de vida global, a COP27 não esteve no topo da agenda das notícias globais". Numa lógica de ação mais imediata, acrescenta que "o problema é que os governos tendem a pensar em incrementos de quatro ou cinco anos, em vez de a longo prazo".

 

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