A China deu mais um passo na consolidação da sua arquitetura de reporte climático empresarial, informou, no final de dezembro, o Ministério das Finanças do país, que lançou o Corporate Sustainable Disclosure Standard No. 1 – Climate. Trata-se de um novo standard que define como as empresas devem reportar riscos, oportunidades e impactos relacionados com o clima.
Embora apresentado como um documento experimental, já que o regime começa por ser voluntário, o objetivo será que evolua progressivamente para um modelo obrigatório. Segundo o ministério, o objetivo é criar um sistema de divulgação “transparente, comparável e fiável”, capaz de apoiar a transição verde da economia chinesa e de alinhar as práticas empresariais com as metas nacionais de neutralidade carbónica. Recorde-se que a China assumiu o compromisso de reduzir, até 2035, entre 7% e 10% das emissões.
“O novo standard vai estabelecer um sistema de divulgação de informação climática transparente, comparável e fiável, reforçar a oferta de normas que apoiem o desenvolvimento verde e de baixo carbono, ajudar a orientar as expectativas do mercado, regular o comportamento das empresas e avaliar de forma científica o progresso da transformação”, refere o Ministério das Finanças em comunicado oficial.
O standard foi desenvolvido para convergir estruturalmente com as normas do International Sustainability Standards Board (ISSB), da IFRS Foundation, em particular com o IFRS S2, dedicado ao reporte climático. A estrutura segue os quatro pilares centrais dessas normas: governação, estratégia, gestão de riscos e oportunidades, e métricas e metas.
Numa fase inicial, o standard define requisitos comuns aplicáveis a vários setores, mas as autoridades já estão a desenvolver orientações específicas para indústrias consideradas críticas na transição climática, como a produção de eletricidade, aço, carvão, petróleo, fertilizantes, alumínio, hidrogénio, cimento e automóveis. A ambição, garante o executivo chinês, é criar um sistema completo que combine orientações gerais, guias específicos e regras adaptadas a cada setor.
No médio prazo, a divulgação climática deverá deixar de ser voluntária e passar a integrar o núcleo das obrigações de reporte empresarial na China. O objetivo é aumentar a credibilidade da informação climática e reduzir práticas de greenwashing, à semelhança do que têm feito outros blocos políticos, como a União Europeia.