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China introduz novo standard de reporte climático alinhado com regras globais

Novo modelo começa como voluntário, mas foi desenhado para evoluir para obrigação legal, numa tentativa de travar o greenwashing e orientar investimento verde.

07 de Janeiro de 2026 às 17:47
Xi Jinping acompanha manutenção da taxa de juro na China, apesar de corte nos EUA
Xi Jinping acompanha manutenção da taxa de juro na China, apesar de corte nos EUA Sergei Bobylev / AP
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A China deu mais um passo na consolidação da sua arquitetura de reporte climático empresarial, informou, no final de dezembro, o Ministério das Finanças do país, que lançou o Corporate Sustainable Disclosure Standard No. 1 – Climate. Trata-se de um novo standard que define como as empresas devem reportar riscos, oportunidades e impactos relacionados com o clima.

Embora apresentado como um documento experimental, já que o regime começa por ser voluntário, o objetivo será que evolua progressivamente para um modelo obrigatório. Segundo o ministério, o objetivo é criar um sistema de divulgação “transparente, comparável e fiável”, capaz de apoiar a transição verde da economia chinesa e de alinhar as práticas empresariais com as metas nacionais de neutralidade carbónica. Recorde-se que a China assumiu o compromisso de reduzir, até 2035, entre 7% e 10% das emissões. 

“O novo standard vai estabelecer um sistema de divulgação de informação climática transparente, comparável e fiável, reforçar a oferta de normas que apoiem o desenvolvimento verde e de baixo carbono, ajudar a orientar as expectativas do mercado, regular o comportamento das empresas e avaliar de forma científica o progresso da transformação”, refere o Ministério das Finanças em comunicado oficial. 

O standard foi desenvolvido para convergir estruturalmente com as normas do International Sustainability Standards Board (ISSB), da IFRS Foundation, em particular com o IFRS S2, dedicado ao reporte climático. A estrutura segue os quatro pilares centrais dessas normas: governação, estratégia, gestão de riscos e oportunidades, e métricas e metas.

Numa fase inicial, o standard define requisitos comuns aplicáveis a vários setores, mas as autoridades já estão a desenvolver orientações específicas para indústrias consideradas críticas na transição climática, como a produção de eletricidade, aço, carvão, petróleo, fertilizantes, alumínio, hidrogénio, cimento e automóveis. A ambição, garante o executivo chinês, é criar um sistema completo que combine orientações gerais, guias específicos e regras adaptadas a cada setor.

No médio prazo, a divulgação climática deverá deixar de ser voluntária e passar a integrar o núcleo das obrigações de reporte empresarial na China. O objetivo é aumentar a credibilidade da informação climática e reduzir práticas de greenwashing, à semelhança do que têm feito outros blocos políticos, como a União Europeia.

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