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UE avança com nova estratégia contra incêndios florestais após a pior época de sempre

Bruxelas quer atuar antes, durante e depois do fogo, com reforço da prevenção e meios aéreos. Projeto incluir a preparação da população e recuperação das áreas ardidas.

02 de Abril de 2026 às 13:26
É necessário 'montar uma capacidade de resposta para depois não ocorrer uma nova catástrofe', durante a época de incêndios, diz António Nunes
É necessário "montar uma capacidade de resposta para depois não ocorrer uma nova catástrofe", durante a época de incêndios, diz António Nunes Carlos Barroso / Medialivre
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A Comissão Europeia apresentou uma nova estratégia para enfrentar a crescente ameaça dos incêndios florestais, depois de 2025 ter ficado marcado como o pior ano de que há registo na União Europeia (UE). Segundo os dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), arderem no ano passado mais de um milhão de hectares na UE.

A nova abordagem cobre todo o ciclo do risco, desde a prevenção e preparação à resposta e recuperação, e surge num contexto em que os incêndios são descritos por Bruxelas como de maior dimensão, com mais frequência e maior nível de destruição. Em comunicado, a Comissão sublinha que “é fundamental restaurar a natureza da Europa, uma vez que ecossistemas saudáveis são mais resilientes aos incêndios florestais”.

A Comissão quer apoiar medidas baseadas nos ecossistemas, com o objetivo de criar paisagens mais resistentes ao fogo, reduzir o risco e limitar os impactos através da proteção e restauração da natureza. Neste sentido, adotou também novas orientações sobre a adaptação às alterações climáticas na rede Natura 2000, incluindo um conjunto de recomendações para conciliar a redução do risco de incêndio com os objetivos de conservação.

“O número e a intensidade dos incêndios florestais em todo o continente estão a aumentar de forma preocupante, destruindo ecossistemas e infraestruturas, afetando as pessoas e a economia”, afirma Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão responsável pela Transição Limpa, Justa e Competitiva. Para a responsável, “o reforço das nossas capacidades de prevenção e resiliência e o investimento em ecossistemas saudáveis ajudar-nos-ão a reduzir os riscos mais perigosos, os custos e os prejuízos”.

Além da prevenção, o projeto quer reforçar a preparação das comunidades e dos operacionais. A Comissão prevê continuar a pré-posicionar bombeiros em zonas de risco, apostar no intercâmbio de peritos e no desenvolvimento de ferramentas de alerta rápido e monitorização apoiadas pelo Copernicus e pelo EFFIS. Entre as novidades está também o reforço da frota rescEU com 12 aviões de combate a incêndios e cinco helicópteros. O primeiro destes helicópteros, entregue à Roménia em janeiro, deverá estar operacional já nesta época de incêndios.

A estratégia inclui ainda a criação de um polo europeu de combate a incêndios no Chipre, pensado como centro regional de formação, exercícios e preparação sazonal, com funções operacionais.

“A Europa tem de estar pronta antes do primeiro incêndio”, considera Roxana Mînzatu, vice-presidente executiva da Comissão responsável pela Preparação. Isso implica, acrescenta, “criar uma verdadeira cultura de preparação” e “dotar as pessoas com as competências certas, apoiar os bombeiros e os elementos de primeira intervenção e ajudar as comunidades a entender os riscos que enfrentam”.

Portugal e Espanha lideram nos fogos

Segundo informação divulgada pela Comissão, foram registados 7.783 incêndios florestais em 25 países da UE durante o ano passado. A época começou mais cedo do que o habitual, com mais de 100 mil hectares já destruídos até ao final de março, e agravou-se no verão, sobretudo no Mediterrâneo. Só Portugal e Espanha concentraram, em agosto, 22 grandes incêndios que queimaram 460.585 hectares, quase metade de toda a área ardida na UE.

Bruxelas quer também olhar para o pós-fogo, nomeadamente através da partilha de boas práticas na recuperação e com apoio à restauração das zonas afetadas, ao mesmo tempo que propõe recolher dados sobre os impactos de longo prazo na saúde dos bombeiros.

“Ao investir na prevenção, na restauração da natureza e na criação de paisagens resilientes aos incêndios, podemos evitar prejuízos económicos no valor de milhares de milhões de euros”, afirma a comissária Jessika Roswall.

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