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México é o paraíso para se negociar acções com informação privilegiada

As acções de uma determinada empresa afundam antes de ser publicada uma má notícia ou disparam antes de aparecer uma notícia favorável. Em Wall Street, suspeitar-se-ia de uso indevido de informações privilegiadas. No México, faz parte da rotina.

Reuters
Bloomberg 30 de Março de 2018 às 18:00
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A prática conhecida como "insider trading" é comum no mercado bolsita mexicano e quase toda a gente o sabe. Assim como nos EUA, no México também é proibido negociar instrumentos financeiros com base em informações que não são do conhecimento público.

 

O órgão regulador do mercado financeiro começou a divulgar, apenas em 2008, as sanções que aplica. Apenas 28 pessoas foram punidas desde então. A Comissão Nacional Bancária e de Valores (CNBV) demora, em média, mais de cinco anos para determinar a punição em casos de insider trading.

 

Até agora ninguém foi preso nem acusado criminalmente. Enquanto nos EUA as multas podem somar dezenas de milhões de dólares, no México a pena ronda os 60.000 dólares por pessoa. O regulador afirma que age com base na sua autoridade constitucional e recusou comentar quando questionado se faz o suficiente para impedir a realização de transacções com informações privilegiadas.

 

Oscilações invulgares nas acções são um assunto constante no mercado financeiro mexicano, que movimenta 400 mil milhões de dólares. Episódios recentes levaram investidores e advogados a defenderem à porta fechada que as autoridades abram investigações, mas estas pessoas temem ostracismo e poucas estão dispostas a falar abertamente sobre o assunto. Afinal, corrupção e impunidade são temas centrais das campanhas para a eleição presidencial que acontecerá a 1 de Julho.

 

Volume limitado

As acções mexicanas dificilmente flutuam quando as empresas anunciam resultados trimestrais, ressaltou John Griffin, professor da Universidade do Texas, em Austin, que estudou o "timing" das movimentações nos preços das acções em 56 países. "A explicação mais provável é que está disseminada a negociação com informações privilegiadas", disse o responsável. "Quando surgem notícias sobre os resultados das empresas, não há nada de especial porque as pessoas já incorporaram os dados."

 

Segundo agentes do mercado, a CNBV não tem tecnologia ou funcionários suficientes para controlar potenciais irregularidades.

Conheça alguns episódios ocorridos no ano passado que poderiam ser investigados: 

- No dia 1 de Março, as acções da Desarrolladora Homex caíram quase 10% para o valor mais baixo de sempre, sendo que há muito tempo não saiam notícias sobre a construtora. A explicação apareceu 48 horas depois, quando a SEC anunciou a suspensão da negociação das acções da empresa no mercado americano devido a uma acusação de fraude contabilística na ordem dos 3,3 mil milhões de dólares.

- As acções da OHL México chegaram a subir 5,2% em 14 de Junho. Depois do encerramento do mercado, a construtora comunicou às autoridades que foi alvo de uma oferta de aquisição. Antes do anúncio, um porta-voz da OHL disse que não comentaria a oscilação das acções.

A 27 de Setembro, as acções da Alfa recuaram para o valor mais baixo em semanas. 14 minutos após o fecho do mercado, o conglomerado industrial avaliado em seis mil milhões de dólares anunciou a decisão de não abrir o capital da subsidiária Sigma.

- A 4 de Outubro, as acções da Ienova, unidade da Sempra Energy no México, tiveram a maior perda num ano, caindo 3,9%. Dois dias depois, a empresa anunciou que pagaria 520 milhões de dólares à Pemex pela participação de 25% num gasoduto. As acções sofreram quedas durante seis sessões consecutivas.

- As acções do Grupo Financiero Banorte chegaram a recuar 8,9% a 25 de Outubro, antes do anúncio da aquisição do Grupo Financiero Interacciones.


(Texto original: Insider-Trading Paradise: Where No One Worries About Jail Time)

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