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Brasil quer que investidores adotem zonas da Amazónia para a protegerem

"Estruturámos instrumentos para que vocês, os fundos, venham e nos ajudem a cuidar da Amazónia. Participem, supervisionem, atuem juntamente connosco", declarou ao FT o ministro brasileiro do Ambiente.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 07 de Agosto de 2020 às 23:32
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O governo brasileiro está pronto para criar o programa 'Adote um parque', que permitirá que o setor privado preserve partes da Amazónia, numa altura em que o presidente Jair Bolsonaro sofre pressões crescentes no sentido de travar a desflorestação ilegal, refere o Financial Times.

 

Ricardo Slles, ministro brasileiro do Ambiente, comentou ao FT que este programa dará a grandes fundos de investimento uma via para canalizarem as críticas ao Brasil para ações concretas.

 

Isto depois de, em junho, duas dezenas de instituições financeiras internacionais terem advertido para a desflorestação – que disparou durante a Administração de Bolsonaro –, "que criou grande incerteza acerca das condições para investir ou fornecer serviços financeiros no Brasil".

 

"A resposta do governo brasileiro é a seguinte: estruturámos instrumentos para que vocês, os fundos, venham e nos ajudem a cuidar da Amazónia. Participem, supervisionem, atuem juntamente connosco", declarou o ministro ao jornal britânico.

 

O programa ‘Adote um parque’, anunciado no passado dia 1 de julho, "deverá ser promulgado na próxima semana, e permite que fundos, bancos e empresas brasileiras e internacionais paguem para preservar 132 zonas da Amazónia, equivalentes a 15% de todo o ecossistema em perigo do Brasil, uma área maior do que o Chile", frisa o FT.

"Temos 132 unidades de conservação federais na Amazónia, de diferentes tamanhos. O que é que nós queremos? [Com o programa 'adote um parque'] poderemos ter empresas nacionais ou estrangeiras a responsabilizarem-se, fazendo uma aliança pela conservação dessas unidades", explicou Ricardo Salles em entrevista à CNN Brasil.

"Se pegarmos no exemplo da (Área de Proteção Ambiental do) Tapajós, tem 200 mil hectares. A 10 euros o hectare, estamos a falar de de dois milhões de euros para manutenção, combate a incêndios, para vigilância, para guarda parque, para recuperação vegetal. Temos uma série de serviços que precisam de ser feitos", acrescentou.

O FT recorda que os investidores reagiram de forma prudente a este programa, manifestando várias preocupações, nomeadamente a dificuldade de o implementar a uma escala substancial, além de considerarem primordial que o governo mostre primeiro que consegue travar a atividade ilegal dos madeireiros e das mineradoras.

 
Desflorestação na Amazónia brasileira aumentou 34% em 12 meses


Esta sexta-feira foram divulgados dados preliminares que indicam que a desflorestação na região brasileira da Amazónia, nos últimos 12 meses, poderá ter atingido um máximo de 14 anos – o que intensifica os receios de que Bolsonaro tenha falhado em impedir a destruição da maior floresta tropical do mundo.

 

A Amazónia brasileira perdeu 9.205 km2 de vegetação entre julho de 2019 e julho deste ano, segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, citados pela Associated Press. O que corresponde a um aumento de 34% face ao anterior período de 12 meses.

 

Essa perda do "pulmão do planeta" deveu-se grandemente aos incêndios que lavraram em agosto e setembro do ano passado e que levaram os países do G7 a oferecerem ajuda, através de meios técnicos e financeiros.

 

Os dados hoje divulgados foram produzidos pelo sistema de monitorização brasileiro Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real). Já os dados do sistema Prodes (Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), que assentam em imagens por satélite mais pormenorizadas, serão divulgados em finais deste ano. Ambos os sistemas são geridos pelo INPE.

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