Ambiente Em Portugal, 70% do lixo das praias é plástico

Em Portugal, 70% do lixo das praias é plástico

Os plásticos dominam os resíduos encontrados no Mediterrâneo, a maior parte com origem na Turquia e Espanha, e afectam Portugal onde 72% do lixo das praias é plástico, alertou esta sexta-feira a organização ambientalista internacional WWF. 
Em Portugal, 70% do lixo das praias é plástico
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Lusa 08 de junho de 2018 às 00:11

Um relatório da WWF, divulgado para assinalar o Dia Mundial dos Oceanos que hoje se comemora, conclui que "95% dos resíduos que flutuam no Mediterrâneo são compostos por plásticos" e pede um acordo internacional para eliminar esta poluição.

 

A maior parte desse plástico "é proveniente da Turquia e Espanha, seguida pela Itália, Egipto e França. Os turistas que visitam a região a cada verão são responsáveis por um aumento de 40% no lixo marinho", acrescenta o relatório.

 

Os ambientalistas alertam que o Mediterrâneo "corre perigo de se transformar numa armadilha plástica, com níveis recorde de poluição causada por microplásticos, que ameaçam tanto espécies marinhas como a saúde humana".

 

Em Portugal, "os microplásticos predominam nas areias das praias, representando 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários", salienta um comunicado divulgado pela organização em Lisboa.

 

A WWF pede aos governos, empresas e cidadãos que adoptem ações para reduzir a poluição por plásticos em ambientes urbanos, costeiros e marinhos, não só no Mediterrâneo, mas em todo o mundo, já que este problema afecta todos os oceanos.

 

Entre as propostas da organização está a adopção de um acordo internacional juridicamente vinculativo para eliminar a descarga deste material nos oceanos, com metas para atingir 100% de resíduos plásticos reciclados e reutilizáveis até 2030 e proibição dos produtos descartáveis, como sacos.

 

No relatório da WWF "Sair da Armadilha Plástica: Salvar o Mediterrâneo da poluição plástica", também é pedido às empresas para investirem em inovação e projectarem uma utilização de plástico mais eficaz e sustentável.

 

A poluição por plástico tem sido muito focada nos últimos dias, com a apresentação da estratégia europeia para reduzir o seu consumo e aumentar a reutilização e reciclagem, e a apresentação de alguns resultados preliminares do grupo de trabalho para procurar alternativas a este material, criado pelo Governo português.

 

Segundo trabalhos científicos referidos pela WWF, Portugal apresenta "dados preocupantes ao longo da cadeia alimentar marinha, nomeadamente em espécies que servem de alimento a peixes e mamíferos".

 

Os artigos, refere a organização, destacam as zonas de Lisboa e Costa Vicentina pela proximidade aos estuários do Tejo e Sado, apresentando elevadas densidades de microplásticos.

 

Acrescenta que "20% dos peixes de consumo quotidiano têm microplásticos nos seus estômagos e 80% das tartarugas-marinhas-comuns (Caretta caretta), cujos juvenis têm zonas de alimentação nos Açores, comem lixo, na sua maioria plástico".

 

"Os impactos da poluição plástica no Mediterrâneo têm repercussões em todo o mundo, e Portugal, na rota de saída deste mar, é o primeiro a sofrer as consequências, com sérios danos tanto para a natureza quanto para a saúde humana", realça a directora executiva da Associação Natureza Portugal (ANP|WWF), citada no comunicado.

 

A poluição "ameaça o turismo e a pesca", alerta a responsável, para quem o problema dos plásticos é um sintoma do declínio geral da saúde do planeta".

 

Dos 27 milhões de toneladas de resíduos plásticos produzidos anualmente na Europa, apenas um terço é reciclado, 27% vai para aterro, uma percentagem que sobe a metade na Itália, França e Espanha.

 

O material reciclado representa 6% da procura de plásticos na Europa, aponta o relatório.

 

Se nada mudar, o mar terá uma tonelada de plástico por cada três toneladas de peixe em 2025 e em 2050 os oceanos poderão ter mais plástico que peixe, indicam estimativas citadas por organizações ambientalistas.

 

O custo económico dos 10 a 20 milhões de toneladas de plástico que acabam no mar a cada ano é responsável por cerca de 13 mil milhões de dólares de prejuízo nos ecossistemas marinhos, o que inclui perdas nas pescas, turismo e limpeza de praias.




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