pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Recolha de equipamentos elétricos em Portugal atingiu valor mais elevado em 20 anos

Cada cidadão entregou para a reciclagem o equivalente a 4,5 kg de equipamentos elétricos no ano passado. Eletrodomésticos de grande dimensão com maior peso.

Ecocentro móvel
Ecocentro móvel DR
19 de Fevereiro de 2026 às 09:13

Os equipamentos elétricos recolhidos e enviados para reciclagem ultrapassaram as 45 mil toneladas no ano passado atingindo o valor mais elevado dos últimos 20 anos.

Os números de 2025, avançados, esta quinta-feira, em comunicado, pelo Electrão, refletem um aumento de 26%, dado que, em 2024, tinham sido recolhidas e enviadas para reciclagem 36.383 toneladas de equipamentos elétricos.

As recolhas próprias, efetuadas nos locais diretamente geridos pelo Electrão, representaram 84% do total encaminhado para reciclagem, consolidando uma trajetória de crescimento que quase triplicou desde 2019, realça a entidade gestora.

Em termos absolutos, em 2019, as quantidades recolhidas na rede própria rondaram as 13 mil toneladas enquanto em 2025 superaram as 38 mil toneladas.

"Os resultados de 2025 refletem o nosso investimento contínuo, uma forte aposta em projetos de proximidade e o reforço da nossa capacidade operacional. 2025 foi um ano de pressão adicional, com metas mais exigentes, desafios crescentes e um mercado paralelo que continua a desviar equipamentos que deveriam ser corretamente descontaminados e reciclados. Conseguimos crescer, mas precisamos de continuar a envolver ainda mais portugueses neste desígnio nacional", diz o diretor de Elétricos e Pilhas do Electrão, Ricardo Furtado, citado na mesma nota.

Das máquinas de lavar às lâmpadas

As tipologias com maior peso no total recolhido continuam a ser os grandes eletrodomésticos, como máquinas de lavar e secar. Em 2025 foram recolhidas e enviadas para reciclagem 22.909 toneladas, o que representa um aumento de 51% face a 2024.

Seguem-se os pequenos eletrodomésticos, como aspiradores e torradeiras, (com 8.554 toneladas) e os equipamentos de regulação de temperatura, como frigoríficos e arcas congeladoras (8.129 toneladas).

Os equipamentos de informática e telecomunicações, incluindo telemóveis, totalizaram 3.810 toneladas. No caso dos ecrãs, foram recolhidas e enviadas para reciclagem 2.456 toneladas, a que se juntaram 2.180 toneladas de monitores e televisores e 296 toneladas de lâmpadas.

"O reforço da rede de recolha do Electrão ajuda a explicar parte dos resultados alcançados", assinala a entidade gestora, apontando que, em 2025, passaram a estar disponíveis 15.522 locais de recolha, ou seja, mais 1.919 do que no ano anterior.

O Electrão, que cumpriu 20 anos em 2025, também atribui parte dos resultados às campanhas de mobilização, assim como ao projeto de recolha porta-a-porta de grandes eletrodomésticos - atualmente disponível em 12 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e da região Oeste. "Esta campanha constitui uma das estratégias mais visíveis do combate ao mercado paralelo, que continua a desviar muitos equipamentos elétricos do canal oficial da reciclagem", enfatiza a entidade gestora.

O Electrão diz ainda que "a contribuição dos operadores de gestão de resíduos que integram a rede Electrão foi igualmente relevante", na medida em que "permitiu reencaminhar para tratamento e reciclagem uma quantidade significativa de equipamentos, correspondente a 5.809 toneladas", realçando também os "parceiros da distribuição, cujo envolvimento crescente na recolha tem sido determinante para os resultados".

"Ainda há muito a fazer para Portugal cumprir as metas de recolha e reciclagem e isso passa por encaminhar para o circuito oficial de reciclagem mais equipamentos, que continuam a ser desviados para o mercado paralelo", sublinha Ricardo Furtado.

"O mercado paralelo mantém-se como um dos fatores mais preocupantes do sistema, tanto para a consolidação dos resultados de recolha como para o cumprimento das metas", aponta a entidade gestora, chamando a atenção que "o desvio de equipamentos para circuitos informais aumenta o risco de práticas de tratamento inadequadas, com maior impacto ambiental, e conduz à perda de materiais valiosos, incluindo matérias-primas críticas, que poderiam ser recuperados e devolvidos à economia, reduzindo a dependência de recursos externos num contexto internacional cada vez mais pressionado".

Ainda há muito a fazer para Portugal cumprir as metas de recolha e reciclagem e isso passa por encaminhar para o circuito oficial de reciclagem mais equipamentos, que continuam a ser desviados para o mercado paralelo. Ricardo Furtado
Diretor de Elétricos e Pilhas do Electrão

Nesse sentido, o Electrão salienta que continua a reforçar o trabalho de triagem e de identificação de equipamentos com potencial para reutilização e adianta que, em articulação com os seus parceiros, contribuiu para dar uma segunda vida a 1.632 toneladas de equipamentos em 2025.

O Electrão – Associação de Gestão de Resíduos é a entidade responsável por três dos principais sistemas de recolha e reciclagem de resíduos: embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados.

45Toneladas
A quantidade de equipamentos elétricos recolhidos e enviados para reciclagem aumentou 26% em 2025 para mais de 45 mil toneladas, um valor recorde.
Ver comentários
Publicidade
C•Studio