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Lucro da Navigator recua 50% em 2025. Papeleira investe 115 milhões em nova máquina de "tissue"

A queda dos preços internacionais, o aumento dos custos de energia e químicos e a instabilidade internacional fizeram recuar os lucros do grupo para 145 milhões no ano “mais exigente das últimas décadas”. A Navigator vai instalar uma nova máquina de "tissue" em Aveiro com apoio do Portugal 2030.

Os negócios do tissue e do packaging do grupo têm vindo a crescer.
Os negócios do tissue e do packaging do grupo têm vindo a crescer. D.R.
19 de Fevereiro de 2026 às 18:45

A The Navigator Company registou em 2025 lucros de 144,7 milhões de euros, o que representa uma queda de 49,6% face aos 286,9 milhões apurados em 2024.

Em comunicado divulgado à CMVM, o grupo revela que o volume de negócios atingiu 1.968,8 milhões de euros no ano passado, 5,7% abaixo de 2024, enquanto o EBITDA situou-se em 375,7 milhões de euros, num recuo de 31,3%. A margem fixou-se nos 19%.

“O sucesso da estratégia de diversificação da empresa contribuiu para atenuar o impacto da pressão sobre os resultados decorrente da expressiva queda dos preços na pasta e papel UWF registados no período”, afirma a empresa, para quem 2025 foi o “ano mais exigente das últimas décadas para a indústria de celulose e papel”. A queda acentuada dos preços internacionais, de pasta e papel, o aumento dos custos de energia e químicos e a instabilidade internacional, frisa, “condicionaram os resultados”.

Os cash costs, refere ainda a papeleira, “foram impactados pelas paragens de manutenção nas unidades da Figueira da Foz, Aveiro e Setúbal, que contribuíram para uma menor diluição dos custos fixos, bem como pelos encargos associados a medidas anti-dumping e tarifas aduaneiras”. Ainda assim, acrescenta, “os cash costs unitários encerraram o ano em níveis inferiores aos observados no início de 2025”.

O grupo acrescenta que “apesar deste enquadramento, a empresa reforçou a sua resiliência, cresceu em volume em todos os negócios papeleiros e acelerou a transformação estratégica”.

Assumindo mesmo o ano de 2025 como “o pior de sempre para o mercado global de pasta”, a Navigator diz, contudo, que “entra em 2026 mais preparada para captar a recuperação que já começou a dar sinais no final do ano” passado.

Os novos negócios – tissue e packaging – “são hoje um pilar central desta transformação, representando já quase 33% do EBITDA, ou seja, 122 milhões de euros, continuando “a ganhar relevância na estrutura de resultados e contribuindo para atenuar o impacto conjuntural da evolução negativa dos preços da pasta e do papel”.

“Em quase uma década, o tissue evoluiu de cerca de 5% para aproximadamente 25% do volume de negócios, enquanto o packaging, desenvolvido nos últimos cinco anos a partir das atuais fábricas de papel de impressão e sem qualquer aumento de capacidade, representa atualmente mais de 4% das vendas totais”, sublinha.

Grupo investe 115 milhões em nova máquina de “tissue”

O grupo, que investiu um total de 210 milhões em 2025, adianta na apresentação das contas ter decidido  avançar com nova máquina de papel “tissue” em Aveiro, num investimento de 115 milhões de euros. Deste valor, 48 milhões será executado em 2026, 53 milhões em 2027 e 14 milhões em 2028, contando o projeto com o apoio do programa Portugal 2030.

A análise de viabilidade para a instalação de uma nova máquina de produção de papel tissue, com capacidade produtiva de 70.000 toneladas anuais para abastecer a sua operação de transformação no Reino Unido, teve lugar no ano passado, explica, referindo agora ter tomado a decisão final para a instalação de uma nova máquina no complexo industrial de Aveiro, com o arranque da operação previsto para março de 2028.

Por segmento de negócio, o grupo refere no comunicado de apresentação dos resultados que nos papéis de impressão e escrita contrariou a tendência da indústria e aumentou a sua quota de mercado global em 1,5 pontos percentuais, atingindo cerca de 26% das entregas totais da Europa.

O negócio de tissue, onde o grupo fez nos dois últimos anos aquisições no Reino Unido e em Espanha, manteve uma trajetória de crescimento, com um aumento de 6% no volume de vendas, com as vendas fora de Portugal a representarem 80% do volume.

No packaging (embalagem), as vendas cresceram 8%, com a Europa a concentrar 71%.

Em 2025, a dívida líquida remunerada do grupo aumentou para 703,6 milhões, com o rácio entre dívida líquida e EBITDA a situar-se em 1,87 vezes.

Kristin provocou perturbações, mas não afetou equipamento

Na apresentação dos resultados, o grupo liderado por António Redondo refere que a passagem da depressão Kristin por Portugal continental no final de janeiro último, com impactos relevantes em particular na região Centro, provocou perturbações temporárias em algumas operações industriais, designadamente nas fábricas da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão, mas “nenhum equipamento essencial foi afetado e a produção foi retomada com normalidade poucos dias depois, assim que foi restabelecido o fornecimento de água e/ou energia”, diz.

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