Inflação na Zona Euro arranca ano a desacelerar para 1,7%
A taxa de inflação na Zona Euro arrancou o ano abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE). A estimativa rápida do Eurostat, divulgada esta quarta-feira, revela que a variação homóloga da inflação nos países do euro desacelerou para 1,7% em janeiro. O valor estimado corresponde a menos três décimas face a dezembro, sendo este o segundo mês consecutivo de alívio na subida dos preços.
A estimativa rápida do Eurostat revela que, nas quatro grandes componentes do cabaz de compras das famílias (energia; alimentos, álcool e tabaco; bens industriais não-energéticos; e serviços), houve uma desaceleração geral no índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), com exceção dos produtos alimentares e dos bens industriais não-energéticos. No caso dos bens industriais não-energéticos, a aceleração terá sido ligeira. O Eurostat estima que o IHPC relativo a estes produtos terá subido de 0,3% para 0,4%.
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Mais preocupante, o IHPC relativo aos alimentos terá acelerado de 2,5% para 2,7% em janeiro. A confirmarem-se estes valores, esta terá sido a segunda aceleração mensal consecutiva. É de notar que, apesar de o BCE ter decretado o "fim" do ciclo inflacionista pós-pandemia e que se agravou com o início da guerra na Ucrânia, os preços dos alimentos voltaram a aquecer em 2025.
Os serviços continuam a ser, no entanto, os produtos cujo índice de preços regista a maior variação homóloga. Mas a tendência no arranque do ano manteve-se decrescente. Em janeiro, o IHPC dos serviços terá aliviado de 3,4% para 3,2%.
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Por outro lado, o IHPC relativo à energia ter-se-á mantido em valores negativos. A estimativa rápida indica que, em janeiro, o índice de preços dos produtos energéticos terá passado de -1,9% para -4,1%. Ou seja, em comparação com o mês anterior, os preços da energia estão agora ainda mais baixos quando comparados com igual período homólogo.
A inflação subjacente – que exclui os produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preços (energia e alimentos, álcool e tabaco) – terá desacelerado uma décima em janeiro, para 2,2%. Este terá sido o segundo mês consecutivo em que a chamada "inflação crítica" aliviou. Este é um dos indicadores de eleição do BCE para decidir sobre novas mexidas nos juros para travar a inflação, uma vez que permite perceber até que ponto é que a inflação "contaminou" setores mais críticos, como educação e saúde.
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Entre os 21 países da Zona Euro – incluindo já a Bulgária, que aderiu ao euro no arranque deste ano –, a variação homóloga do IHPC terá acelerado em três países (Alemanha, Eslováquia e Chipre), estabilizou num (Malta) e desacelerou nos restantes 17. Portugal foi um dos países onde a variação do IHPC terá desacelerado, tendo passado de 2,4% para 1,9% em janeiro, segundo a estimativa rápida do Eurostat.
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As variações homólogas da taxa de inflação mais elevadas foram observadas na Eslováquia (4,2%), Croácia (3,6%) e Grécia (2,8%). Em sentido contrário, as taxas de inflação mais baixas foram observadas em França (0,4%), Itália e Finlândia (ambas com um IHPC de 1%) e Bélgica (1,4%).
(Notícia atualizada às 10:53)
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