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Banco de Portugal melhora previsões. Recessão será de 8,1% em 2020

Mário Centeno apresenta esta terça-feira o seu primeiro boletim económico enquanto governador do Banco de Portugal.

Pedro Nunes
Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 06 de Outubro de 2020 às 11:55
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O Banco de Portugal melhorou as suas previsões para a economia portuguesa em 2020. Ainda assim, a instituição liderada por Mário Centeno espera uma recessão de 8,1%. Os dados foram publicados esta terça-feira, no boletim económico de outubro.

Na estimativa de junho, o Banco de Portugal antecipava uma recessão de 9,5%. Agora, a queda será um pouco menos profunda, espera a instituição. Na sua primeira apresentação de um boletim económico do Banco de Portugal, o governador Mário Centeno explicou que "a revisão da previsão está associada a um segundo trimestre substancialmente melhor do que o que estava subjacente à previsão de junho."

Para a segunda metade deste ano o Banco de Portugal antecipa de uma contração de 6,8%, "o que significa que a recuperação é rápida", defendeu Mário Centeno, admitindo a possibilidade de uma recessão em "v", ainda que bastante assimétrica no que diz respeito aos setores de atividade.

Mesmo assim, reconheceu que a recuperação "vai levar mais alguns semestres, provavelmente os mais difíceis, porque implica a reafetação dos recursos."

Sobre o momento em que a economia portuguesa terá conseguido regressar ao mesmo nível de produção de riqueza que tinha em 2019, Centeno lembrou que as projeções de junho indicavam que no final de 2021 o país ainda não estaria nesse ponto. Agora, que o cenário para este ano foi melhorado, "a expectativa que existe em geral é que em algumas regiões, países, setores, antes do final de 2021 já teremos recuperado o que tínhamos perdido", antecipou. "Noutros, vai ser mais longo", admitiu.


Exportações travam recuperação

Sobre o comportamento da economia nacional, Centeno explicou que o investimento e o consumo estão a revelar-se mais fortes, enquanto as exportações estão a registar o impacto mais negativo. Para esta componente o Banco de Portugal projeta uma queda de 19,5% este ano.

Aliás, são as exportações que travam o processo de recuperação português. O governador explicou que Portugal tem uma "queda muito menor do investimento e do consumo privado" do que a média da zona euro, mas uma "queda muitíssimo maior das exportações."

"Isso não quer dizer que os exportadores portugueses se tenham comportado mal, quer só dizer que as nossas exportações de serviços têm um peso muito maior. Se descontarmos isso, o número para Portugal é muito positivo face à estrutura produtiva portuguesa", argumentou. 

O boletim económico antecipa uma redução de 2,8% do emprego (inferior à queda de 4,5% projetada em junho) e uma taxa de desemprego de 7,5% (menos 2,6 pontos percentuais do que o esperado em junho). O consumo público crescerá 1,2% em 2020 e o consumo privado cairá 6,2%, com o forte aumento da taxa de poupança verificado no primeiro semestre a reverter-se gradualmente na segunda metade do ano.

Resposta foi "decisiva"

Numa análise à resposta europeia e nacional à pandemia - pela qual é em parte responsável, já que ocupou o cargo de ministro das Finanças até junho, tendo decidido as primeiras medidas para amparar o impacto do confinamento e tendo desenhado o Orçamento do Estado suplementar - Mário Centeno elogiou o que foi feito, defendendo que foram as iniciativas políticas que evitaram consequências mais danosas para a atividade económica.

"A resposta das autoridades à crise foi célere, porque se iniciou poucos dias após a declaração da crise sanitária, estamos a falar de março, abril", lembrou o governador. "Essa resposta foi decisiva porque foi completa. Conjugou pela primeira vez as autoridades monetárias, orçamentais e de supervisão macroprudencial, microprudencial e comportamental", defendeu.

No âmbito nacional, o ex-ministro das Finanças destacou, por exemplo, o efeito do lay-off e das moratórias para empresas e famílias, numa primeira resposta de medidas com efeito "para-quedas" e frisou que será agora importante colocar a tónica na criação de emprego.


(Notícia atualizada às 13:08)
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