Conjuntura Défice comercial duplica no primeiro trimestre de 2018

Défice comercial duplica no primeiro trimestre de 2018

O défice comercial de bens e serviços duplicou no primeiro trimestre de 2018, face ao mesmo período do ano passado. O crescimento do turismo não compensou a aceleração das importações de bens no arranque do ano.
Défice comercial duplica no primeiro trimestre de 2018
Bruno Simão
Tiago Varzim 21 de maio de 2018 às 12:31
Apesar de a actividade turística do primeiro trimestre ter beneficiado do 'efeito Páscoa', o aumento do excedente comercial do turismo, incluído nos serviços, não foi suficiente para compensar o aumento do défice comercial de bens. Essa dinâmica fez com que o défice comercial de bens e serviços duplicasse, segundo os dados do Banco de Portugal divulgados esta segunda-feira.

Nos primeiros três meses do ano, as exportações de bens e serviços aumentaram 4,5%, abaixo da subida de 5,9% das importações. Em ambos os casos, o desempenho menos positivo veio do comércio de bens, cujo défice se agravou em 627 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, em comparação homóloga.

Já o excedente comercial de serviços, muito influenciado pelo desempenho do turismo, aumentou em 341 milhões de euros. Uma subida que não foi suficiente para compensar o aumento do défice de bens. Feitas as contas, o défice comercial conjugado de bens e serviços passou de 225 milhões de euros no primeiro trimestre de 2017 para 512 milhões de euros no mesmo período deste ano. Ou seja, mais do que duplicou.
Ressalve-se que, desde 2012, a balança de bens e serviços tem sido positiva no total anual. Os números mostram que no início de cada ano a balança tende a ser deficitária, passando depois a um excedente nos restantes trimestres.

Este foi um dos factores que levou ao agravamento ligeiro do défice externo total da economia portuguesa medido pela balança de pagamentos - estatística que regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia.

"No primeiro trimestre do ano, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital [balança de pagamentos] fixou-se em -78 milhões de euros, o que compara com -67 milhões de euros em igual período de 2017", destaca o Banco de Portugal.

O efeito negativo do défice comercial de bens e serviços nas contas externas portuguesas foi compensado principalmente pela diminuição do défice da balança de rendimento primário, "sobretudo devido à antecipação de rendimentos de investimento recebidos do exterior". Além disso, o saldo da balança financeira passou de um défice superior a 400 milhões de euros para um excedente de 30 milhões de euros. 

Variações cambiais penalizam a posição de investimento internacional

As responsabilidades de Portugal face ao exterior agravaram-se no arranque deste ano. Segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal esta segunda-feira, a posição de investimento internacional (PII) do país agravou de -204,1 mil milhões de euros no final de 2017 para -207,6 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2018.

A posição de investimento internacional reflecte a posição das disponibilidades e responsabilidades financeiras externas da economia no final de um determinado período de tempo.

Essa variação negativa de um ponto percentual tem dois responsáveis: as variações cambiais e as variações de preços. "No caso das variações cambiais, verificou-se a apreciação do euro face ao kwanza e face ao dólar, com impacto na redução no valor dos activos externos detidos por residentes", explica o Banco de Portugal.

Por outro lado, "no caso das variações de preços, o impacto negativo sobre a PII reflectiu, do lado dos passivos, a valorização de títulos de dívida pública portuguesa detidos por não residentes e do lado dos activos, a desvalorização de acções de empresas não residentes detidas por residentes em Portugal".
A dívida externa líquida de Portugal situava-se em 183,1 mil milhões de euros (94,1% do PIB) no final de Março. "O aumento de 4,6 mil milhões de euros relativamente ao final de 2017 foi justificado, em grande parte, pela já referida valorização da dívida pública portuguesa", remata o BdP.



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