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Itália pode rever crescimento para 0,1% em 2019. Até aqui previa expansão de 1%

O Il Sole 24 Ore noticia que o governo italiano já só projeta um crescimento de 0,1% do PIB transalpino em 2018, muito aquém da meta de 1% inscrita no orçamento expansionista. O executivo de aliança entre 5 Estrelas e Liga também planeia rever em alta o défice.

EPA/Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 27 de Março de 2019 às 10:25
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A evolução da economia italiana parece estar a dar razão às instituições locais e internacionais, entre as quais a Comissão Europeia, quanto ao otimismo exagerado das metas económicas previstas no orçamento expansionista do governo populista de aliança entre a Liga e o 5 Estrelas.

De acordo com um documento governamental a que o jornal Il Sole 24 Ore teve acesso, o executivo transalpino já só prevê atingir um crescimento do PIB em 2019 de 0,1%, valor que compara com a meta de 1% inscrita no orçamento em vigor e que suscitou grande apreensão em Bruxelas.

Aquela publicação especializada em questões económicas acrescenta que o governo liderado por Giuseppe Conte planeia avançar com um pacote de medidas destinadas a promover o crescimento económico e a garantir uma expansão do produto de 0,2% ainda este ano.

Nas previsões intercalares de inverno, a Comissão Europeia projetou um crescimento da economia italiana de apenas 0,2% em 2019.

O ministério das Finanças de Itália, tutelado por Giovanni Tria, trabalha com vista a um défice orçamental de 2,3% neste ano, bem acima dos 2,04% acordados com a Comissão Europeia após um confronto que se arrastou durante longas semanas e que levou, pela primeira vez, o órgão executivo da União Europeia a chumbar uma proposta orçamental remetida por um país-membro da Zona Euro.

Possivelmente já a antecipar eventuais pedidos de reforço dos impostos oriundos de Bruxelas, Tria já avisou que nesta fase a economia italiana não dispõe de condições para aumentar impostos ou sequer baixar os níveis de despesa pública.

"Não podemos apertar mais a nossa política orçamental porque estamos no meio de uma recessão e abrandamento económico", afirmou o ministro, citado pela Bloomberg, durante uma conferência realizada na China.

Depois de Itália ter sido obrigada a rever em baixa as metas inicialmente previstas num orçamento expansionista que gerou muitas dúvidas, o país entrou oficialmente em recessão técnica ao somar dois trimestres consecutivos com o PIB a encolher.

Com uma dívida pública fixada em cerca de 132,1% do PIB, a segunda mais alta em toda a Zona Euro, a Comissão Europeia alertou em fevereiro que a persistente baixa produtividade da economia italiana associada ao elevado endividamento tornavam necessária a prossecução de reformas. Juntou-se a estes alertas esta quarta-feira o líder do banco central italiano, Ignazio Visco, que, citado pelo La Stampa, defende que é preciso "intervir o quanto antes para contrariar a travagem da economia", realçando a necessidade premente de uma "estratégia clara para reduzir a dívida [pública]". 

A pouco tempo de Roma, ao abrigo da legislação europeia, ter de enviar para a Comissão Europeia o Programa de Estabilidade com as previsões económicas para os próximos anos, o governo transalpino deverá ainda esta semana aprovar um conjunto de medidas extraordinárias para tentar potenciar o crescimento da terceira maior economia da área do euro.

Entre as medidas consideradas está a possibilidade de serem criadas novas regras que permitam aos bancos transalpinos limparem dos respetivos balanços dívidas consideradas de difícil cobrança, ou seja reduzirem os níveis de malparado.

O governo italiano é obrigado a lidar com perspetivas económicas desfavoráveis, a que acrescem os sinais de abrandamento da economia global, numa altura em que se prepara para enfrentar as europeias de maio, as primeiras eleições de caráter nacional desde que Liga e 5 Estrelas chegaram a acordo para formar governo com apoio parlamentar maioritário. 

Com a Liga do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini a somar sucessivas vitórias eleitorais ao nível regional, agora é o outro número dois do governo e líder do 5 Estrelas, Luigi Di Maio, quem tenta ganhar palco. Di Maio confirmou esta terça-feira uma importante redução das tarifas energéticas e reiterou que será o prometido rendimento de cidadania (um rendimento mínimo universal para os mais pobres) a permitir à economia italiana não ficar estagnada em 2019.

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