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Lagarde: Travar a globalização seria "caso óbvio de negligência económica"

A directora-geral do FMI insiste que os governos com margem orçamental devem investir mais, e lançou um apelo global para que não travem a abertura das suas economias.

6.ª Christine Lagarde (FMI)
Manteve a posição do rankingo do ano passado. A directora-geral do FMI é a sexta mulher mais poderosa a nível mundial, segundo a Forbes. O que acontece quando foi nomeada para segundo mandato à frente do Fundo Monetário Internacional. As várias crises económicas que tem de acudir mantêm-na presa ao topo.
Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 13:30
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"Restringir o comércio seria um caso óbvio de negligência económica", afirma Christine Lagarde, directora-geral do fundo Monetário Internacional (FMI), que voltou nesta quarta-feira, 28 de Setembro, a lançar um apelo global para que nenhum país ou bloco trave a abertura das respectivas economias.

 

"Nos últimos anos, a recuperação global tem sido fraca e frágil, e este continua a ser o caso hoje". Mas "se voltássemos as costas ao comércio agora, estaríamos a sufocar um motor essencial do crescimento" e a prejudicar os mais vulneráveis. "Precisamos de repensar como o crescimento pode ser mais inclusivo, e agir em conformidade", mas "restringir o comércio e limitar a abertura económica piorará as perspectivas de crescimento para o mundo, especialmente para a população mais frágil".

Falando na Kellogg School, escola de negócios da  Universidade de Northwestern, sedeada em Evanston, em Illinois (Estados Unidos), Lagarde lembrou que, desde a Segunda Guerra Mundial, o comércio tem sido o motor que mais impulsionou o progresso económico. "O comércio cresceu ao dobro da taxa do PIB global até a crise de 2008, mas desde então tem caído abaixo desse ritmo. Isto deve-se principalmente à fraca procura global, mas um papel não-trivial tem sido jogado também pelo aumento das medidas proteccionistas nos últimos cinco anos", apontou.

 

Considerando que a política monetária ainda pode ajudar ao crescimento e que deve, por ora, permanecer acomodatícia, a directora-geral do Fundo apontou depois baterias aos governos, afirmando que há países onde há espaço orçamental para aumentar o investimento e, desse modo, a procura global; e que continua a ser necessário fazer reformas profundas no modo de funcionamento de muitas economias.

"Ao contrário de 2008, não estamos hoje a defender um estímulo orçamental numa base ampla. O princípio básico é que os países com espaço orçamental devem usá-lo, como é o exemplo do Canadá, da Alemanha e da Coreia do Sul".


Para os países onde as finanças públicas estão já esticadas, como é o caso de Portugal, Lagarde recomenda que se repense onde se está a gastar o dinheiro dos contribuintes. "Pense em substituir gastos correntes por créditos fiscais associados a investigação e desenvolvimento que podem apoiar a tecnologia e promover a inovação", recomenda.

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