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Costa admite aplicar “medidas muito mais constringentes das liberdades”

O primeiro-ministro dramatiza a adoção das propostas do Governo para evitar alternativas “mais gravosas do ponto de vista da liberdade”, advertindo os portugueses que “há que resistir ao cansaço” provocado pela pandemia.

Olivier Hoslet
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 16 de Outubro de 2020 às 14:31
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António Costa aconselha os portugueses a fazer uma análise de custo-benefício às medidas que o Governo propôs nos últimos dias, como a obrigatoriedade do uso de máscara no exterior e também da utilização da aplicação móvel (app) Stayaway Covid, com multas que podem ir até aos 500 euros.

 

"Com este ritmo de crescimento da pandemia que estamos a ter, se não adotarmos agora medidas desta natureza, se calhar vamos estar daqui a uns tempos a ter de tomar medidas muito mais constringentes das liberdades, desde logo da liberdade de movimentos, como no início desta pandemia", referiu o primeiro-ministro, um dia depois de dizer que é "inimaginável" repetir no Natal o que fez na Páscoa.

 

Em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, o chefe do Executivo insistiu que "a questão é saber se são úteis para evitar a transmissão da pandemia e se não é melhor recorrer a elas agora do que estar daqui a duas semanas, um mês ou dois meses a ter de impor medidas muito mais restritivas, como seja dizer que simplesmente não pode sair à rua, com ou sem máscara".

 

"Nunca se justifica, em meu entender, suspender a Constituição. Tivemos de o fazer durante aqueles períodos do Estado de Emergência. Felizmente fizemo-lo de forma limitada, contida, com respeito pelas liberdades e garantias dos cidadãos (…). Temos de medir, passo a passo, as medidas que são necessárias, tentando perturbar o minimo a atividade das pessoas e das empresas, mas sabendo que não é possível enfrentarmos esta pandemia sem restrições", acrescentou.

 

Confrontado com os 2.608 novos casos registados em Portugal nas últimas 24 horas, o governante sustentou que "até conseguirmos atingir o controlo [da pandemia], vamos ter todos os dias [estes valores] a crescer". E se o país não conseguir conter este crescimento diário de contágios, então o Executivo "[terá] de tomar tomar medidas mais gravosas do ponto de vista da liberdade das pessoas".

 

Se não conseguirmos conter [o crescimento dos contágios], teremos de tomar medidas mais gravosas do ponto de vista da liberdade das pessoas. António Costa, primeiro-ministro

 

"Creio que todos temos ainda bem presente o custo social paa as famílias, para a aprendizagem das crianças, para a saúde psicológica sobretudo dos mais idosos, para a perda do emprego e para a sustentabilidade das empresas, das medidas que tivemos de adotar em março e abril. Todos temos a obrigação de fazer o máximo de esforço possível para evitar a todo o custo que tenhamos de voltar a isso", acrescentou.

Questionado pela RTP sobre se este é um aviso sério aos portugueses, António Costa respondeu que é antes um "alerta" para que saibam que "se não queremos travar um conjunto de atividades e impor novos confinamentos e fortes restrições à liberdade, temos de alterar os comportamentos". Para o primeiro-ministro, esta segunda onda "resulta das pessoas terem relaxado na disciplina dos seus comportamentos", contrapondo que a subida dos novos casos não é uma "fatalidade".

 

Resistir ao cansaço

 

No final de um encontro de dois dias do Conselho Europeu, que sofreu duas "baixas" precisamente devido ao novo coronavírus - a presidente da Comissão Europeia e a primeira-ministra finlandesa -, Costa reforçou ter "esperança de que, tal como no início desta crise, as pessoas tenham muita consciência de que depende essencialmente delas travar a disseminação da pandemia e que isso depende da disciplina com que cada um cumpre as regras", como o afastamento físico ou a utilização de máscara.

 

O líder socialista reconheceu que "as pessoas têm acumulado cansaço", mas avisou que "ainda vamos ter muitos meses de pandemia pela frente". "Há que resistir a esse cansaço", dramatizou, concluindo que "se todos agirmos com consciência do risco, seguramente vamos conseguir conter a pandemia sem ter de recorrer de novo a medidas drásticas".

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