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Marcelo reitera que desconfinamento só após a Páscoa

O Presidente da República defendeu esta quinta-feira a manutenção do confinamento apesar dos sinais positivos na evolução da pandemia e voltou a apontar a Páscoa como data para o alívio das restrições.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2021 às 20:05
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O Presidente da República defendeu esta quinta-feira a manutenção do confinamento, apesar dos sinais positivos na evolução da pandemia, numa declaração ao país a partir do Palácio de Belém. E insistiu que a Páscoa é um "marco" que garante prudência e cautela para o desconfinamento.

Marcelo Rebelo de Sousa começou por destacar a evolução favorável mas lembrou que o número de internados ainda é quase o dobro e o de cuidados intensivos é mais do dobro do recomendado pelos intensivistas.

E frisou que "os números que nos colocaram como pior do mundo não são de há um ano ou de há meses, são de há um mês". "E as filas de ambulâncias nos hospitais são de há três semanas".

O chefe de Estado elencou os argumentos de quem defende a reabertura já. "As razões invocadas todos as conhecemos: a evolução positiva já não teria recuo, e se tivesse não seria para os valores de há um mês, a economia e a sociedade sofrem uma crise profunda, cultura, movimento associativo, desporto jovem, restauração, hotelaria, muito comércio sofrem ainda mais", disse. "A saúde mental está crescentemente abalada, as escolas, as crianças e os jovens em particular veem o segundo ano letivo atropelado", prosseguiu.

Continuando a enunciar os argumentos dos defensores do desconfinamento, Marcelo referiu que, para estes, "só importaria garantir a existência de vacinação mais rápida e ampla, que cobrisse o que se fosse abrindo, começando pelas escolas, vacinando mais cedo nas escolas". "Só importaria ainda assegurar testagem e rastreio mais amplos e virados para o mais urgente". 

Com a "dupla segurança de vacinas e testes seria possível desconfinar por fases sem os riscos corridos no passado". Estas, disse, são "as razões de quem quer ou de quem espera o anúncio de passos imediatos para acabar com o regime do último mês".

E, admitiu, tudo isto "tem lógica e corresponde ao que pensam muitos portugueses e é sedutor". Mas, frisou, "há outro prato na balança: o número de internados ainda é quase o dobro do indicado por intensivistas e o de cuidados intensivos é mais do dobro".

"Estas razões opostas fazem pensar duas vezes em criarem-se expectativas de aberturas apressadas, por muito sedutoras que sejam", realçou Marcelo.

De seguida, avançou os prazos para o desconfinamento: "disse e repito: temos de ganhar até à Páscoa o verão e o outono deste ano".

"A Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias (...) como seria abrir sem critério antes da Páscoa para nela fechar logo a seguir e para voltar a abrir depois dela", considerou.

Assim, resumiu, por uma "questão de prudência e de segurança" é preciso "manter a Páscoa como um marco essencial para a estratégia em curso". O chefe de Estado reconheceu que isto "implica mais umas semanas de sacrifícios pesados" mas advertiu que a alternativa seria poder vir a ter de voltar às medidas mais duras "multiplicadas por dois ou por três".

O Presidente defendeu que "com tempo, se estude e prepare bem o dia seguinte", mas, acrescentou, "que se escolha melhor ainda esse dia, sem precipitações, para não se repetir o que já se conheceu". E, enfatizou, "nunca se confunda estudar e planear com desconfinar".

"Desconfinar a correr por causa dos números atuais será tão tentador quanto leviano", concluiu.
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