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Portugal suspende vacinas da AstraZeneca a menores de 60 anos. Vacinação de professores adiada uma semana

As autoridades nacionais de Saúde decidiram restringir a administração da vacina da AstraZeneca aos menores de 60 anos de idade, dado que os problemas associados a esta vacina foram sobretudo detetados nas pessoas abaixo daquela faixa etária. A vacinação do pessoal docente e não docente prevista para o próximo fim de semana foi adiada para o seguinte.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 08 de Abril de 2021 às 19:03
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Ainda que sejam "extremamente raros" os fenómenos de tromboembolismo associados à administração da vacina da AstraZeneca, as autoridades sanitárias de Portugal decidiram, a exemplo do movimento observado a nível europeu, suspender a aplicação daquela vacina aos menores de 60 anos de idade. 

Graça Freitas, diretora da Direção-Geral de Saúde, começou por explicar que se continua a administrar a vacina da AstraZeneca frisando que o maior objetivo passa por "salvar vidas e prevenir uma doença grave (covid-19)".

"Este objetivo é alcançado com qualquer uma das vacinas aprovadas" em Portugal, sublinhou insistindo que aquela é uma vacina "segura e que protege", pelo que as pessoas que irão receber uma segunda dose da Astra devem permanecer "calmas e confiantes".

É que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) "estudou esses fenómenos" e concluiu que "não se verificam acima dos 60 anos", mas somente "noutras idades mais baixas". Ou seja, foi decidido manter a vacinação dos maiores de 60 anos com a AstraZeneca porque esta faixa etária "tem maior risco" associado à covid e "praticamente nenhum risco de fenómenos trombóticos". Mas de qualquer forma, Freitas pede humildade e paciência para se esperar pela obtenção de mais conhecimento a prestar por parte da EMA e da própria farmacêutica.

Esta quarta-feira, a EMA reiterou que os benefícios da vacina da AstraZeneca superam os riscos, porém deixou a decisão sobre a sua utilização ao critério dos Estados-membros. A União Europeia ficou aquém de uma decisão unânime, com várias capitais a queixarem-se da falta de clareza da mensagem da EMA.

De acordo com as indicações da entidade comunitária, Graça Freitas recomendou que os cidadãos inoculados façam uma monitorização de sete a 14 dias para o caso de surgirem coágulos sanguíneos já que foi neste intervalo de tempo que foi detetada a "maior parte de casos" de tromboembolismo. Seja como for, a líder da DGS fez questão de notar que tais fenómenos "não são as tromboses frequentes".

Esta suspensão implica ainda o adiamento, por uma semana, da vacinação ao pessoal docente e não docente prevista para o próximo fim de semana, que fica agora agendada para 16 e 17 de abril. O responsável pela task force da vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, assegurou que essas pessoas terão acesso às "vacinas que forem apropriadas" em função da nova recomendação feita pela DGS.

Independentemente desta suspensão, "ninguém pode escolher vacinas", avisou Gouveia e Melo insistindo que as mesmas "são seguras e eficazes" e que se tal fosse possível seria "complexo, injusto e iria perturbar o plano de vacinação". Todavia, mesmo que alguém venha a rejeitar ser inoculado, Graça Freitas garante que "encontraremos solução para que essas pessoas fiquem corretamente imunizadas.

Duas situações em Portugal, nenhuma fatal
Rui Ivo, presidente do Infarmed, adiantou que, até agora, foram "reportadas duas situações" de coágulos após vacinação contra a covid-19, ambas "um pouco diferentes das referenciadas" noutros países e em pessoas com menos de 60 anos, sendo que apenas num desses casos se tratava de uma vacina da AstraZeneca. A diretora da DGS clarificou que nenhum desses dois casos foi fatal.

Prosseguindo intentos tranquilizadores, o líder do Infarmed realçou que nas "mais de 30 milhões de vacinas" da empresa anglo-sueca administradas em toda a Europa os fenómenos registados são "extremamente raros".

Vacinação prossegue como previsto
A processo de vacinação em curso não sofrerá grandes alterações. "Esta recomendação não vem afetar de forma muito importante o plano. O plano vai continuar a ser executado com a rapidez com que estava a ser executado", afiançou o vice-almirante mantendo a meta de, no final de maio, ter a primeira dose administrada à maior parte das pessoas com mais de 60 anos. E "sendo útil" a vacina da Astra para vacinar a população mais idosa, "o plano não vai sofrer grandes alterações". 

As encomendas das vacinas do consórcio com Oxford também se mantêm. Além das 400 mil já aplicadas, o país deve receber em torno de 1,4 milhões no segundo trimestre, além das 200 mil de reserva. Também os contratos não sofrem mudanças, até porque prevalece a consideração de que os benefícios associados à vacina da Astra superam em muitos os riscos.

Gouveia e Melo aproveitou a ocasião para assinalar que esta quinta-feira o país atingiu "os 2 milhões de inoculações", o que significa que "cerca de 15% [da população] já teve a primeira inoculação e que cerca de 6% vai atingir muito rapidamente a segunda".

"Medidas reforçadas" devido a surtos nas escolas 
No dia em que o Público noticiou terem sido registados 47 surtos em escolas em duas semanas de regresso às aulas presenciais em apenas alguns ciclos de aprendizagem, Graça Freitas precisou não se tratar de um "fenómeno generalizado", mas circunscrito a "algumas escolas" onde foram identificadas "cadeias de transmissão com alguma dimensão".

Garantiu que estão a ser seguidas "com toda a atenção pelas autoridades de saúde" e a ser adotadas "medidas reforçadas de testagem, vigilância e isolamento", tudo em estreita colaboração com as escolas e as famílias dos alunos. No entanto, para já é preciso perceber se estes contágios se vão "expandir a todo o país" antes de serem adotadas novas decisões. 

(Notícia atualizada)

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