PSD acusa Governo de Costa de condicionar liberdade de expressão e de imprensa
O PSD mantém a intenção de ouvir João Soares no âmbito da polémica que o levou à demissão. Contudo, Luís Montenegro defende que a má relação com a comunicação social é extensível a todo o Executivo.
O Partido Social Democrata acusa o Governo de António Costa de ter um problema com a comunicação social. As bofetadas prometidas pelo até agora ministro da Cultura João Soares são apenas um exemplo disso, de acordo com o Luís Montenegro.
O caso João Soares mostra a "forma como os membros do Governo pressionam e condicionam o exercício da liberdade de expressão", afirmou o líder da banca social-democrata, acrescentando ainda que também é exemplo da falta de capacidade de lidar com a imprensa.
Segundo Luís Montenegro, a demissão de João Soares – aceite esta sexta-feira, 8 de Abril, pelo primeiro-ministro António Costa – diz respeito apenas à "relação directa" entre ambos. "A questão política relevante mantém-se a forma como o Governo, primeiro-ministro e outros membros do Governo se relacionam com a crítica", indicou, no Parlamento, o deputado do PSD, em declarações transmitidas pela TVI24.
Daí que Montenegro afirme que "o Parlamento deve prosseguir o seu esforço de escrutínio daquela que tem sido a acção de alguns membros do Governo na sua relação com comunicação social". Por esse motivo, o maior partido da oposição mantém a intenção de ouvir João Soares, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a directora do jornal Público, Bárbara Reis, sobre o texto do facebook do ex-ministro em que disse ter vontade de esbofetear dois colunistas do jornal (Pulido Valente e Augusto M. Seabra).
"Como ontem [quinta-feira] dissemos, considerámos este episódio lamentável e que não deveria ter acontecido. E, por isso, parece-nos esta demissão do doutor João Soares inevitável, sobretudo depois das declarações do doutor António Costa", disse António Carlos Monteiro, do CDS, citado pela Lusa.
O PCP e o BE não quiseram alongar-se nos comentários à demissão. Dos comunistas, a reacção é que o novo titular tem de se virar para a promoção cultural. Do lado dos bloquistas, a ideia é a de que o Governo não sai fragilizado: "não há aqui nenhum problema político", segundo Pedro Filipe Soares.
Já o líder parlamentar do PS afirmou compreender os motivos da demissão do ministro da Cultura, João Soares, e salientou que o sucedido não foi uma decorrência de um evento de natureza política. "Compreendo as razões que o dr. João Soares invocou para a sua demissão e respeito-as. Agora compete ao primeiro-ministro, tendo aceite essa demissão, proceder à nomeação do novo ministro da Cultura. E o assunto está encerado", considerou o presidente do PS, citado pela Lusa.