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Corninhos, piadas ou impostos por pagar já demitiram governantes

João Soares ameaçou esta quinta-feira dois colunistas com “um par de bofetadas”, tendo entretanto pedido desculpas. No passado, outras polémicas como piadas sobre hemodiálise, impostos por pagar ou livros vetados levaram à saída dos seus autores do Governo.

07 de Abril de 2016 às 20:15
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A ameaça de violência do ministro da Cultura a dois colunistas do Público não terá sido o suficiente para João Soares se demitir, e nem o PSD nem o CDS exigiram a saída do ministro. Mas no passado, ministros e secretários de Estado foram afastados dos seus cargos governativos depois de declarações ou actos polémicos, ou após terem vindo a lume falhas no cumprimento de deveres. Quem não se lembra de Manuel Pinho?

O ano é 2009. Manuel Pinho, ministro da Economia de José Sócrates, participa no debate do Estado da Nação com os seus restantes colegas de Governo. Enquanto o então líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, intervinha, Pinho envolveu-se numa discussão com Bernardino Soares, então líder parlamentar do PCP, sobre os trabalhadores das minas de Aljustrel. Em resposta a um aparte do comunista, Manuel Pinho simulou "corninhos" com os dois dedos indicadores.

O ministro foi demitido em pleno debate por José Sócrates. O então primeiro-ministro anunciou a saída de Pinho quando saiu do plenário. Foi um gesto "injustificável", disse então aos jornalistas.

Mais de 15 anos antes do episódio que envolveu Manuel Pinho, também o então secretário de Estado do Ambiente Carlos Borrego foi afastado do Governo depois de uma piada de mau gosto sobre a contaminação por alumínio da água que abastecia o serviço de hemodiálise do Hospital de Évora. "Sabem o que é que no Alentejo – em Évora melhor dizendo – fazem aos cadáveres das pessoas que morreram ultimamente? Levaram-nos para reciclar, para aproveitar o alumínio". Cavaco Silva demitiu o secretário de Estado.

Sisa por pagar derruba Cadilhe e Vitorino...

A alegada falta de pagamento de impostos e contribuições acossou Passos Coelho no final do seu mandato como primeiro-ministro, mas não foi suficiente para o derrubar da chefia do Governo. O mesmo não se pode dizer de vários outros ministros. Em 1989, o Independente noticiou que Miguel Cadilhe, então ministro das Finanças, havia comprado um andar nas Amoreiras sem pagar a Sisa (actual IMT, o imposto pago sempre que se compra uma casa). Cadilhe demitiu-se na sequência da polémica.

O mesmo aconteceu a Murteira Nabo e António Vitorino, igualmente devido ao não pagamento da Sisa.

Noutro plano, o subsecretário de Estado da Cultura do segundo Governo de Cavaco Silva, António Sousa Lara, demitiu-se depois de ter vetado, em 1992, a obra "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" ao Prémio Literário Europeu, por considerar que atacava o património religioso português. Saramago acusou o governante de censura e mudou-se para Lanzarote, nas ilhas Canárias. Apesar de ter o apoio do primeiro-ministro Cavaco Silva, Sousa Lara acabaria por se demitir na sequência da polémica.

Cavaco Silva condecorou este ano Sousa Lara com a Ordem do Infante D. Henrique, destinada a "quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro".

...curso afasta Relvas

No último Executivo, Miguel Relvas apresentou a demissão do cargo de ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares depois de se ter concluído que a sua licenciatura era inválida. Uma investigação do Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) concluíra que o curso de Ciência Política de Relvas, obtido na Universidade Lusófona, fora completado através da concessão de equivalência a 32 das 36 cadeiras. Relvas apresentou a demissão, alegando não ter "condições anímicas para continuar".

Mário Lino, ministro das Obras Públicas no primeiro Governo de José Sócrates, fez declarações polémicas sobre a Margem Sul do Tejo, mas acabaria por continuar no cargo. Em Maio de 2007, quando comentava a localização do novo aeroporto de Lisboa, o então ministro considerou que a zona era "um deserto". "Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas", defendeu.

A escolha para a construção do novo aeroporto de Lisboa acabou por recair, precisamente, em Alcochete, um dos municípios a sul do Tejo. A obra foi suspensa pelo anterior Governo.

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