Economia Bruxelas confirma que EUA já podem impor tarifas à Europa. Trump não indicia abertura para acordo

Bruxelas confirma que EUA já podem impor tarifas à Europa. Trump não indicia abertura para acordo

Numa altura em que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, assente em tarifas, continua a pressionar as economias a nível mundial, uma nova frente de ataque poderá abrir-se: Washington foi autorizado a avançar com sanções sobre a Europa.
Bruxelas confirma que EUA já podem impor tarifas à Europa. Trump não indicia abertura para acordo
Mauro Bottaro/UE
Negócios 16 de setembro de 2019 às 15:41
A comissária europeia responsável pela pasta do Comércio, Cecilia Malmstrom, confirmou esta segunda-feira, 16 de setembro, as notícias de que os Estados Unidos receberam luz verde da Organização Mundial do Comércio (OMC) para impor tarifas à Europa, na sequência da acusação de que a francesa Airbus terá recebido apoios indevidos e que prejudicam a concorrente americana Boeing. Paralelamente, a comissária assumiu que a maior economia do mundo não tem mostrado abertura para negociar as eventuais sanções, apesar de a Europa sublinhar que está contra a política de imposição de tarifas. 

É já a partir de 30 de setembro que os Estados Unidos poderão avançar com novas tarifas sobre a Europa. "Fizemos uma proposta consideravelmente detalhada", afirmou Malmstrom, para depois ressalvar que "infelizmente, os EUA não disseram que estão dispostos a negociar". A posição da Comissão Europeia é a de que "já existem suficientes tarifas no mundo, pelo que impor tarifas de parte a parte, o que nos é permitido de acordo com a OMC, não seria uma boa solução", enunciou a comissária.

A informação de que os Estados Unidos já teriam luz verde da OMC para avançar com sanções sobre a Europa já tinha sido revelada, este domingo, pelo Politico, mas só agora foi confirmada por fonte oficial da comissão. 

Em abril deste ano, os Estados Unidos ameaçaram a Europa com tarifas sobre 11 mil milhões em importações, motivadas pela indignação quanto a subsídios concedidos pelo Velho Continente à Airbus o que, na ótica de Trump, prejudica indevidamente a rival americana Boeing. Washington, que tem reclamado contra o tempo que a OMC está a demorar a adotar uma decisão (o caso remonta a 2006), já tem preparada uma lista de produtos europeus que podem ser alvo das tarifas. Esta inclui helicópteros de passageiros, vários queijos e vinhos, fatos de neve, algumas motas, azeitonas, massa, assim como alguns tipos de whiskey.

Apesar de Trump ter uma vitória nesta decisão da OMC sobre os apoios europeus para o fabrico do A350 e do A380, o reverso da medalha pode demorar poucos meses. É que a Europa também colocou uma queixa contra os Estados Unidos alegando que a Boeing recebeu apoios ilegais e a decisão da OMC deverá ser conhecida dentro de oito meses, de acordo com fontes citadas pelo Politico.

 
Caso ganhe na OMC, a Europa poderá retaliar com tarifas sobre importações avaliadas em 12 mil milhões de dólares, incluindo de produtos como jogos de vídeo e ketchup. 


A recém-eleita presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está a mover-se no sentido de reforçar o arsenal de ferramentas à disposição do Velho Continente para contra-atacar possíveis investidas comerciais. N
uma carta dirigida ao comissário com a pasta do Comércio, Phil Hogan, a líder europeia disse querer "reforçar a ‘caixa de ferramentas’ comerciais", através de alterações na regulação. 



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