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Cavaco acusa Governo de falta de "bom senso” e de “vontade reformista”

Ex-Presidente escreve no Público, a pedir à oposição, sociedade civil e media ajudem Governo a encontrar “o rumo certo”. Cavaco Silva diz que António Costa "não podia deixar de demitir" Pedro Nuno Santos.

José Sena Goulão/Lusa
Negócios jng@negocios.pt 30 de Setembro de 2022 às 12:25
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O executivo de António Costa segue "sem rumo, sem ambição e vontade reformista, um governo à deriva navegando à vista", e com "falta de bom senso político". A avaliação é do ex-Presidente, Cavaco Silva, num artigo de opinião publicado nesta sexta-feira no Público, a propósito dos seis meses da atual formação governativa socialista.

 

No artigo, o antigo chefe de Estado e primeiro-ministro do PSD critica a ausência de sinais de "coragem política para fazer reformas decisivas para colocar a economia portuguesa numa trajetória de crescimento sustentável superior à dos países da União Europeia nossos concorrentes".

 

"Seria normal que um Governo de maioria absoluta, confrontado com a trajetória de empobrecimento relativo em que o país se encontra, adotasse como uma das suas primeiras prioridades o desenvolvimento de uma estratégia reformista de médio e longo prazo, o que se justificava ainda mais pela pandemia e a guerra na Ucrânia", defende.

 

Por outro lado, Cavaco Silva evidencia episódios recentes que diz colocarem o Governo como um "conjunto desarticulado e desorientado". Defende que o primeiro-ministro, António Costa, deve exercer maior controlo sobre a agenda do Conselho de Ministros, que deve manter-se como "o centro do processo político de decisão".

 

O ex-Presidente releva a "afronta política do ministro das Infraestruturas ao primeiro-ministro sobre a questão do novo aeroporto de Lisboa" e entende que "o primeiro-ministro não podia deixar de demitir o ministro" Pedro Nuno Santos.

É também assinalada como "particularmente grave e perigosa por aquilo que pode revelar de arbitrariedade e abuso do poder por parte do Governo" a reação da ministra da Agricultura a críticas da Confederação dos Agricultores de Portugal sobre a falta de apoios públicos face à seca. "É melhor perguntar porque é que, durante a campanha eleitoral, a CAP aconselhou os eleitores a não votar no PS", cita o artigo sobre a resposta de Maria do Céu Antunes, numa declaração cuja "gravidade (...) vai para além da sua pessoa", entende Cavaco Silva.

 

No artigo, Cavaco Silva defende que partidos da oposição, instituições da sociedade civil e comunicação social devem "ajudar o Governo a encontrar o rumo certo".

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