Défice acumulado da Saúde atinge os dois mil milhões de euros
Derrapagem será, afinal, muito superior aos 500 milhões admitidos por Teixeira dos Santos. Só este ano, o défice do Serviço Nacional de Saúde terá derrapado mais de mil milhões de euros
As contas provisórias do final do ano, feitas pelo Ministério da Saúde, indicam que o défice acumulado do Serviço Nacional de Saúde pode atingir os dois mil milhões de euros, um cenário ainda mais pessimista do que aquele traçado por Teixeira dos Santos em Outubro, assumindo uma derrapagem de 500 milhões face ao orçamentado este ano.
A notícia é avançada pelo semanário “Sol”, que adianta que o próprio secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, já tem conhecimento destes valores – só ainda não os remeteu ao Ministério das Finanças porque quer antes garantir que os números são irreversíveis. Os responsáveis de ambos os ministérios não quiseram comentar este número, adianta o jornal.
Em 2009, o défice acumulado atingira os 600 milhões de euros, sendo que só no exercício do ano passado a derrapagem foi de 400 milhões. Quando Teixeira dos Santos admitiu a derrapagem de 500 milhões, o défice acumulado já teria ultrapassado os mil milhões de euros. Os fornecedores têm vindo a revelar os montantes da dívida acumulada pelo SNS – a indústria farmacêutica reclama 1,1 milhões e os fornecedores de dispositivos médicos 400 milhões.
Apesar de Ana Jorge ter divulgado esta semana que a despesa com medicamentos diminuiu 16% em Novembro face ao mês anterior, o “Sol” adianta que o saldo final deste ano vai crescer 8 a 9% face a 2009.
Questionada pelos deputados na discussão do Orçamento do Estado, a ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu que o défice deste ano se iria cifrar em 200 milhões de euros, antevendo um lucro de 31,9 milhões já no próximo ano.
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