Défice do Serviço Nacional de Saúde dispara no terceiro trimestre
Dados da execução de Setembro mostram que previsões da ministra Ana Jorge estão a sair ao lado. Em três meses o défice cresceu 100 milhões de euros.
Estes resultados furam as previsões do Ministério da Saúde que, aquando da apresentação dos resultados do primeiro semestre, afirmava que na segunda metade do ano se iria começar a sentir o efeito das medidas adoptadas na área do medicamento em Junho. Os efeitos estão a sentir-se, sim, mas no sentido contrário. A despesa com medicamentos cresceu 10,6% , atingindo os 1,3 mil milhões de euros, reflectindo a corrida às farmácias por parte dos utentes que, dessa forma, anteciparam o aumento dos preços dos medicamentos que entrou em vigor em Outubro.
O défice dos hospitais EPE soma e segue. Em Setembro passado fixou-se nos 275 milhões de euros, um agravamento de 29,3% face a igual período de 2009. Já os hospitais do Sector Público Administrativo (SPA) viram as suas contas deteriorar-se em 110,9% face a Setembro de 2009, registando um resultado líquido negativo de 1,7 milhões de euros.
Olhando para a prestação de cuidados, destaca-se um crescimento de 2,3% das consultas externas, mais 190 mil consultas do que as efectuadas em igual período do ano passado. O número de primeiras consultas aumentou 2,6%, enquanto os atendimentos em urgência registaram uma descida de 0,6%. No mesmo período, verificou-se uma subida de 2,2% das cirurgias em ambulatório.
A divulgação das contas acontece numa altura em que muito se tem especulado sobre o défice acumulado na Saúde. O semanário Sol avançava, na sexta-feira, que o buraco nas contas da Saúde atinge os dois mil milhões de euros, um valor que a ministra da Saúde, Ana Jorge, já desmentiu.
Mais lidas