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Olhar o futuro: Três líderes empresariais discutem desafios do país

Três rostos da liderança empresarial olham para os desafios do país. O PRR é um tema incontornável e todos frisam que é preciso criar valor com a bazuca europeia

CMTV
Negócios jng@negocios.pt 31 de Maio de 2021 às 11:00
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São rostos conhecidos do mundo empresarial e que têm em comum a experiência de terem vivido e trabalhado no estrangeiro. Cristina Fonseca, empreendedora e venture partner da Indico Capital Partners, Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP,  e António Pires de Lima, CEO da Brisa, não veem como uma inevitabilidade que o país salte de crise em crise. Acreditam que as empresas devem ser o ponto de partida para a criação de valor. Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência são muitas as dúvidas acerca da utilização da bazuca da UE.

"Portugal teve algumas fragilidades no período da troika, que foi obviamente muito intensa. Mas temos de ter a ambição de que não seja inevitável [viver de crise em crise] e que possamos dar passos para melhorar o enquadramento macroeconómico do país", afirmou o presidente executivo da elétrica numa conversa gravada para o aniversário do Negócios "de olhos no futuro".

Pires de Lima, da Brisa, sublinhou que "há uma certa cultura de aceitar a mediania", defendendo que deve haver "um compromisso promovido pelas principais  entidades políticas" que permita a Portugal caminhar   para o ranking "dos dez países mais competitivos". Cristina Fonseca, fundadora da Talkdesk e empreendedora, já fez esse caminho. Por isso, frisou que Portugal tem de deixar de ser um país que vende minutos dos seus mais qualificados trabalhadores. "A tecnologia deu-me a possibilidade de criar uma empresa global. Eu nunca pensei na internacionalização", resumiu.

A elevada carga fiscal é um dos fatores que os três apontam como limitação à competitividade das empresas em Portugal. "Nós somos dos países que mais  penalizam a criação de riqueza", apontou Pires de Lima. Cristina Fonseca considera, por isso, que "hoje temos um desequilíbrio entre o que as empresas portuguesas pagam e o que as empresas internacionais consideram ser o valor das pessoas". "É muito difícil para alguém que esteja lá fora, a partir de um determinado nível, voltar para Portugal, não só pelo reduzido número de oportunidades, mas por fatores que vão do ponto de vista fiscal a outros", acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade.   

A próxima década
É incontornável que os próximos anos ficarão marcados pelo PRR. Cristina Fonseca tem, por isso, dúvidas sobre se Portugal estará preparado para responder aos desafios da transição digital. "É  preciso pensar bem, serão os líderes tecnológicos que vão pensar [a execução do plano]. É  como construir uma casa:  se as fundações desta nova era tecnológica não ficarem bem implementadas, a casa não vai estar lá para os próximos séculos." O CEO da EDP entende que o desafio é "conseguir investir aquele dinheiro de uma forma que seja produtiva" e Pires de Lima não tem dúvidas de que "é pouco tempo" para executar tamanho bolo.

Não tem de ser uma inevitabilidade [caminhar de crise em crise]. Nós olhamos à volta e vemos outros bons exemplos de países que foram capazes de crescer e de se continuarem a desenvolver do ponto de vista económico e social. Seguramente não é inevitável. Miguel Stilwell d’Andrade, Presidente executivo da EDP


Os salários em Portugal são muito o reflexo da nossa economia frágil e da pobreza do país. As empresas não decidem pagar mais ou menos a uma pessoa dependendo dos seus resultados. É o valor de mercado que dita isso.  Cristina Fonseca, Venture Partner da Indico Capital Partners


[A aversão ao lucro] é um problema cultural que atrofia o desenvolvimento da economia. O lucro devia ser uma aferição do mérito dos projetos empresariais. Em Portugal existe uma cultura, que não é nova, e que desconfia das empresas que têm sucesso. António Pires de Lima, Presidente executivo da Brisa
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