Economia Presidente do IGCP: 2019 vai ser "mais arriscado do que anos anteriores"  

Presidente do IGCP: 2019 vai ser "mais arriscado do que anos anteriores"  

Cristina Casalinho diz que o abrandamento da economia pode condicionar subida de juros em 2019 na Europa e nos Estados Unidos.
Presidente do IGCP: 2019 vai ser "mais arriscado do que anos anteriores"   
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 07 de dezembro de 2018 às 17:39

Cristina Casalinho, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), vê quatro riscos para a economia global no próximo ano: abrandamento económico; inflação; riscos políticos e remoção do carácter acomodatício da política monetária.

No artigo de opinião publicado esta sexta-feira no Negócios, Casalinho diz ser "natural a apreensão com o próximo ano que se apresenta mais arriscado do que anos anteriores".

 

Ainda assim, não há motivos para alarme, pois "por algumas boas e por outras menos boas razões, a maioria dos principais factores de risco apresenta elementos de autocontenção, os quais podem, se não evitar, pelo menos mitigar o seu impacto, no caso de o cenário mais pessimista se concretizar".

 

No risco do abrandamento da economia, a presidente do IGCP constata que "na segunda metade de 2018, avolumaram-se os sinais de desaceleração económica", sendo que "o risco de desaceleração económica é ainda preocupante via outro canal: o elevado endividamento das economias".

 

Desta forma, "a redução da dívida torna-se indispensável para potenciar o crescimento ao mesmo tempo que a desaceleração económica condiciona a queda da dívida, configurando um círculo vicioso".

 

Sobre a inflação, Casalinho não mostra grande preocupação, pois "os salários, apesar de terem subido nos últimos meses, têm anos de estagnação para recuperar" e "os preços das matérias-primas, como o petróleo, estão mais contidos".

 

Quanto aos riscos políticos, a presidente do IGCP acredita que o "proteccionismo ou guerras comerciais ao nível das principais potências económicas podem ter um efeito menos negativo do que se antecipa".

 

Por fim, Casalinho perspectiva que o "ritmo de normalização das taxas de juro" nos Estados Unidos e na Europa pode ser condicionada pela "divulgação de indicadores económicos menos robustos".