Economia "Os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida" (act.)

"Os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida" (act.)

Pedro Nuno Santos, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, defende que Portugal deve ameaçar com a bomba atómica da suspensão do pagamento da dívida para obter, em troca, melhores condições de ajustamento. Carlos Zorrinho considera palavras algo excessivas , mas concorda como o seu vice.
Eva Gaspar 15 de dezembro de 2011 às 08:52
“Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.

O discurso inflamado de Pedro Nuno Santos (ao centro na imagem) foi feito no sábado, em Castelo de Paiva. Foi captado pela rádio local e esta manhã reproduzido pela Rádio Renascença.

Carlos Zorrinho, líder da bancada parlamentar socialista, concorda com o seu "número dois", dizendo que as declarações foram retiradas de contexto e devem ser lidas como um apelo a que a União Europeia faça acompanhar as políticas de austeridade de políticas de crescimento.

Em reacção esta manhã aos microfones da TSF, Zorrinho (na foto) admite que Pedro Nuno Santos pode ter usado uma linguagem e "imagética muito rica, talvez excessiva" mas para dizer “duas coisas essenciais”: que o pagamento da dívida não pode ser feito à custa das pessoas e sem uma política de crescimento. Zorrinho diz ainda que, no Norte, "pôr-se fino" corresponde a "chamar a atenção" para uma situação que diz ser legítima.

“Obviamente que é preciso chamar a atenção que Portugal quer pagar a dívida, como quer a Grécia, a Irlanda, a Bélgica e a França, mas é preciso que haja uma política europeia de crescimento”.

Já esta manhã, à TSF, Pedro Nuno Santos veio precisar que não sugeriu que o país suspendesse o pagamento da dívida. "Eu não disse que não devemos pagar a dívida, o que eu disse é que há limites para os sacrifícios e que o Governo deve pôr o seu povo à frente".

O vice da bancada parlamentar socialista diz ainda que não reconhece qualquer excesso no que disse. “Nós vivemos uma crise existencial na Europa. Não tempos de falinhas mansas. (...) Não me arrependo do que disse porque o que disse é o que eu quero continuar a dizer".







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