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Subida dos juros deverá atingir famílias e empresas no primeiro semestre de 2023

Economistas da Allianz Trade indicam que os critérios para atribuição de crédito às famílias e empresas já estão a pesar mais neste quarto trimestre e que isso deverá refletir-se no bolso dos portugueses no início de 2023. Juros poderão levar a uma perda de poder de compra ainda maior.

Rafael Marchante/Reuters
Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt 07 de Dezembro de 2022 às 14:22
O impacto da subida das taxas de juro, para conter a trajetória ascendente da inflação, deverá começar a atingir as famílias e empresas no primeiro semestre de 2023. A previsão é da Allianz Trade, acionista da seguradora COSEC, que indica que os critérios para atribuição de crédito às famílias e empresas já estão a pesar mais neste quarto trimestre.

"Para as famílias, incluindo as portuguesas, o choque das taxas de juro deverá estar a aproximar-se, podendo mesmo materializar-se no próximo ano", indica a Allianz Trade, sublinhando que esse o período de passagem das subida das taxas de juro de referência para as taxas bancárias, e com isso para o crédito às famílias, seja relativamente curto.

No estudo, os economistas da seguradora estimam que a taxa de juro de referência na Zona Euro deverá atingir o pico no primeiro trimestre de 2023 e, por isso, "o período médio de passagem da taxa de juro de referência para as taxas bancárias, no caso de Portugal, deva ocorrer no segundo trimestre de 2023, à semelhança das projeções para Espanha e Itália". Na Alemanha e França, essa transmissão deverá acontecer só no terceiro trimestre do próximo ano.

"Num contexto de subida das taxas de juro e de agravamento das perspetivas económicas, a dinâmica favorável de crédito na Zona Euro não deverá durar muito mais tempo", afirma Ana Boata, Head of Economic Research da Allianz Trade.

Ana Boata assinala que, depois de um ano de estabilização dos padrões de empréstimo, "os bancos tornaram-se significativamente mais avessos ao risco" e, face a isso, "é possível que os padrões de crédito se tornem mais restritivos à medida que os bancos diminuem a sua tolerância ao risco". Ou seja, os bancos deverão começar a apertar o cinto no crédito às famílias e empresas.

Famílias e empresas em novas dificuldades
Para as famílias, isso poderá levar a uma perda de poder de compra ainda maior. Porém, os economistas da Allianz Trade indicam que as poupanças amealhadas durante a pandemia da covid-19 podem compensar parte do impacto do aumento dos juros. Mas, com a subida de preços a pressionar o poder de compra, as famílias portuguesas já consumiram praticamente toda a poupança extra que fizeram.

As expectativas de poupança têm também vindo a descer todos os meses desde o início deste ano, fruto da deterioração da conjuntura e a subida de preços. Mas em novembro atingiu um mínimo histórico: em 25 anos, nunca tinham mostrado um pessimismo tão grande quanto à capacidade de juntar dinheiro no fim do mês.

No que toca às empresas, a subida das taxas de juro deve acontecer também no primeiro semestre de 2023, com as previsões da acionista da COSEC a sugerirem que "a dívida das empresas não financeiras deverá escalar para novos recordes em termos absolutos e um aperto global das condições financeiras". Isso levará também a uma diminuição das margens de lucro das empresas, sobretudo em Itália, Espanha e França.
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