Emprego trava mas renova máximos. Taxa de desemprego nos 5,8% no quarto trimestre
No último trimestre do ano passado, a criação de emprego quase estagnou em cadeia, mas renovou o valor máximo da série. Taxa de desemprego foi de 5,8% no final do ano, mas na média anual ficou nos 6%, ligeiramente abaixo da projeção do Governo.
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No último trimestre do ano passado, a criação líquida de emprego manteve o ritmo homólogo que já tinha verificado no trimestre anterior (3,7%), embora tenha quase estagnado face ao terceiro trimestre (0,1%). Apesar disso, a população empregada atingiu os 5,34 milhões de pessoas no último trimestre do ano, um novo máximo na série que começa em 2011.
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística mostram que com o emprego ainda a crescer e o desemprego a recuar (estabilizando também face ao trimestre anterior) a taxa de desemprego se situou nos 5,8% no último trimestre do ano passado, tal como no trimestre anterior, e quase um ponto abaixo face a período homólogo.
Estes dados apontam agora para 326,3 mil pessoas oficialmente desempregadas e disponíveis para trabalhar, valor que se manteve quase inalterado face ao trimestre anterior, recuando 11,4% face a período homólogo.
Contudo, a taxa de desemprego jovem – que tem estado elevada face à média europeia – aumentou um ponto face ao trimestre anterior, para 19,8%, embora tenha recuado dois pontos face a período homólogo. Em causa estão as pessoas entre os 16 e os 24 anos.
Já o número global de empregados, que regista o máximo da série, subiu muito ligeiramente em 7,4 mil pessoas face ao terceiro trimestre (o tal aumento de 0,1%) e revelou neste último trimestre do ano mais 191 mil empregos criados, em termos líquidos, face a período homólogo (a subida de 3,7%).
Os maiores contributos para o aumento do emprego em termos homólogos foram dados pelos homens, por pessoas dos 25 aos 34 anos, com ensino superior, e quase exclusivamente no setor dos serviços, com destaque para as atividades de saúde humana e apoio social. Na criação líquida de emprego destacam-se sobretudo os trabalhadores por conta de outrem e os contratos sem termo.
Taxa de desemprego de 2025 abaixo de todas as projeções
O INE também apresenta os dados anuais, que na prática sintetizam os quatro trimestres do ano passado, e que apontam para uma taxa de desemprego de 6% no conjunto do ano de 2025, ligeiramente abaixo do valor previsto pelo Governo (6,1%).
A taxa oficial de desemprego do ano passado fica também abaixo das previsões das outras instituições: a Comissão Europeia apontava para 6,3%, o Banco de Portugal para 6,2% e o Conselho das Finanças Públicas para 6,1%.
Olhando para os valores anuais, a média de emprego foi de 5,28 milhões de pessoas, numa subida de 3,2% ou de 163 mil pessoas empregadas, o que representa igualmente um novo máximo anual da série.
Teletrabalho a subir abrange mais de 1,1 milhões de trabalhadores
A informação divulgada esta quarta-feira revela, por outro lado, um aumento no número de pessoas a trabalhar à distância e do peso do teletrabalho.
Assim, a proporção de pessoas empregadas em teletrabalho, ou seja, que trabalharam de casa com recurso a tecnologias de informação e de comunicação, foi de 21,2% (mais de 1,1 milhões de trabalhadores).
Trata-se de um aumento de 1,8 pontos percentuais face ao terceiro trimestre e de 0,7 pontos face a período homólogo.
"Entre os empregados que trabalharam em casa, 23,8% (279,3 mil) fizeram-no sempre, 40,4% (474,2 mil) fizeram-no regularmente mediante um sistema híbrido que concilia trabalho presencial e em casa, 15,0% (176,4 mil) trabalharam em casa pontualmente e 20,8% (244,0 mil) fizeram-no fora do horário de trabalho", explica o INE.
No sistema híbrido, "a combinação mais comum foi a que conjuga alguns dias por semana em casa todas as semanas". "Os empregados num sistema híbrido trabalharam em casa, em média, três dias por semana", explica o INE.
Notícia atualizada pelas 12:35 com mais informação.
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