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Emprego jovem: Maior "vaga" na indústria exportadora e tecnologias

Auditoria e controlo de gestão são boas saídas na área de Economia e Gestão. Por serem baratos e não terem ‘amarra’ familiar ganham valor na expatriação.

Pedro Elias/Negócios
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2014 às 11:00
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A indústria exportadora e as tecnologias de informação destacam-se entre os sectores que registam mais oportunidades de emprego para jovens especializados à procura do primeiro emprego, segundo as empresas de recrutamento consultadas pelo Negócios.

 

As posições mais atraentes continuam a ser na Engenharia – da mecânica à gestão industrial, da informática à electrotécnica –, embora as áreas de Economia e Gestão mantenham alguma estabilidade e procura em funções comerciais, de auditoria e controlo de gestão.

Carlos Maia, director da Hays, adiantou que as ofertas concentram-se "sobretudo nos sectores de mercado em crescimento, ou seja, em empresas com actividades ligadas à exportação, sejam de indústria ou serviços". O mesmo acontece no sector tecnológico e da banca, que estão a "intensificar" o recrutamento de jovens quadros técnicos. "Em áreas técnicas (Engenharias, Tecnologias da Informação), assim como nas áreas comerciais e de Marketing, para funções onde a curva de aprendizagem seja curta, que exijam um rápido período de adaptação e à empresa", acrescentou.

As necessidades são transversais e vão desde posições mais juniores (programas de estágio) até perfis que requerem alguma experiência profissional, mas que ainda são enquadrados na categoria de "jovens". Quem o diz é Afonso Carvalho, director-geral da Kelly Services, que em Portugal sentiu o mercado "ganhar uma nova dinâmica" desde o último trimestre de 2013, embora "uma outra grande fatia" de candidatos seja colocada nos PALOP, Inglaterra, Alemanha, França e Suíça.

 

Afonso Carvalho destacou também "a dinâmica de algumas multinacionais que cada vez mais ganham projectos em concorrência directa com outros congéneres e trazem para Portugal centros de serviços partilhados, o que está a constituir uma excelente e crescente oportunidade para os jovens entrarem no mercado de trabalho".

Expatriados mais baratos

No escritório da Michael Page no Porto, o maior número de oportunidades para recém-licenciados à procura do primeiro emprego estão na Indústria (46%), Tecnologias de Informação (25%), Retalho (16%) e Logística (13%). Na área financeira, os principais recrutadores continuam a ser as "Big 4" da auditoria e consultoria, continuando as restantes instituições financeiras a recrutar jovens principalmente para a rede comercial. Auditores financeiros, consultores, assistentes de vendas, analistas/técnicos financeiros juniores são as funções mais requisitadas nesta divisão especializada da Msearch, do grupo Multipessoal.

A gestora, Cristina Rosa, adiantou que "é frequente as empresas de auditoria recrutarem juniores para integrarem, no imediato, projectos internacionais", como em África. É que, por um lado, os custos de expatriação são menores. Por outro, as "questões familiares não constituem ainda um possível obstáculo" nessa faixa etária. Em regra mostram "bastante flexibilidade e [boa] adaptação a novos ambientes", tratando-se de jovens "cada vez mais ambiciosos e predispostos a uma carreira internacional", concluiu.

 

Vantagens de contratar jovens

 

Alta vontade de mostrar trabalho e baixo custo de contratação

 

"A principal vantagem [das empresas em contratarem um quadro jovem] é poderem contar com a energia e determinação destes jovens. Têm grande vontade em demonstrar que são capazes, desde que lhes dêem uma oportunidade. Vão trazer novas ideias e formas diferentes de ver as coisas que, sendo imediatamente aplicadas ou não, contribuem para a mudança e evolução da organização", resume Carlos Andrade, gestor da Michael Page Porto.

 

"Ao recrutarem quadros jovens, as empresas garantem uma 'renovação' daquilo que poderão ser os seus processos, procedimentos e metodologias, visto que estes jovens acabam por desempenhar um papel de catalisadores de mudança, ao trazerem da faculdade uma nova visão do mercado, novas ideias e novas formas de trabalhar", completa Cristina Rosa, do Grupo Multipessoal, acrescentando que características como o dinamismo, a vontade e a motivação para adquirirem novas aprendizagens e o seu elevado potencial de crescimento e desenvolvimento acabam por ser consideradas também como mais-valias para a organização.

 

Para Carlos Maia, da Hays, "a principal vantagem acaba por estar associada a custos em termos de contratação, contando as empresas com benefícios fiscais e contributivos a este nível", além de beneficiarem do facto de os jovens "facilmente se 'aculturarem' à sua primeira realidade empresarial".

 

 

Desvantagens de contratar jovens

 

Os gastos suplementares em formação e os riscos da falta de adaptação

 

Afonso Carvalho, director-geral da Kelly Services, lembra que "as empresas têm de fazer um grande investimento emocional, dado que têm de estar preparadas para aceitar uma aprendizagem mais demorada e, por vezes, assente na tentativa/erro". "Têm igualmente de fazer um investimento racional, dado que muitas empresas não têm alternativa senão 'agarrar' os jovens à saída das universidades, dos institutos de formação profissional, pois de outra forma perdem os melhores recursos disponíveis", sustenta.

 

"O principal investimento é o da formação intensiva em termos de competências que complementem a formação-base destes profissionais", corrobora Carlos Maia, "office manager" da Hays. Na Michael Page, Carlos Andrade atesta que, para as empresas, "o investimento poderá ser elevado, caso a pessoa não se adapte, não acrescente valor ou abandone a organização ao final de seis meses ou um ano". É que "o maior custo será a sua formação" e, "muitas vezes", advertiu este especialista, quando o jovem começa finalmente a ter alguma autonomia e "know-how" naquela função e naquele sector de actividade, ele acaba por sair para uma empresa concorrente.

 

Quanto ao investimento financeiro e a nível de tempo despendido na formação, integração e acompanhamento, Cristina Rosa aponta que "é muito variável", consoante o sector de actividade e a função.

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