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Pandemia manteve mais de 500 mil pessoas a trabalhar em casa durante o verão

Nos meses de julho a setembro 681,9 mil pessoas ficaram a trabalhar a partir de casa – a grande maioria por causa da pandemia de covid-19.

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Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 06 de Novembro de 2020 às 11:19
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Mais de 500 mil pessoas ficaram a trabalhar a partir de casa, no terceiro trimestre deste ano, por causa da pandemia de covid-19, mostram os dados publicados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ou seja, apesar do levantamento da maior parte das medidas de confinamento durante os meses mais quentes do ano, quando as infeções estiveram mais controladas, muitos trabalhadores optaram por se manter resguardados.

No segundo trimestre deste ano, quando estiveram em vigor as medidas mais duras do confinamento, ficaram a trabalhar em casa quase um milhão de pessoas (998,5 mil) especificamente por causa da pandemia. No trimestre de verão, este grupo encolheu quase para metade (caiu 46%), mas continuou com 539,6 mil pessoas.

Um pouco mais de metade (52,6%) destes trabalhadores que a pandemia manteve a exercer a partir de casa eram mulheres e 54,8% residiam na área metropolitana de Lisboa.

Os números sugerem a existência de uma desigualdade na exposição ao risco de infeção, que deixa mais vulneráveis os trabalhadores de profissões menos qualificadas: a grande maioria dos que ficaram em casa (75,3%) tinha formação ao nível do ensino superior. Quase todos (92,8%) eram trabalhadores por conta de outrem e 67,1% eram especialistas de atividades intelectuais e científicas. Mais de um quarto dos que trabalhavam no setor terciário pertenciam à área da educação.

Segundo os dados do INE, considerando todos os motivos e não apenas a pandemia, no terceiro trimestre deste ano houve 681,9 mil pessoas (o equivalente a 14,2% do total da população empregada) a exercer a sua profissão sempre, ou quase sempre, a partir de casa. Comparando com o segundo trimestre do ano, o trabalho a partir de casa caiu 37,7%, o correspondente a menos 412,5 mil pessoas nestas circunstâncias.

Tal como nos dados do segundo trimestre, a informação recolhida pelo INE volta a indicar que não há uma diferença significativa no número de horas trabalhadas, consoante o serviço seja feito em casa ou no emprego. Excluindo os que estiveram ausentes do trabalho (por motivos vários) na semana de referência do inquérito, quem ficou em casa diz ter trabalhado em média 37 horas por semana, e quem foi ao escritório diz que foram em média 38 horas semanais.

Quase todas as pessoas que trabalharam a partir de casa estiveram em teletrabalho, ou seja, recorreram a meios informáticos e a telecomunicações para transferir o resultado do seu trabalho. No conjunto da população empregada estiveram nestas circunstâncias 13,4% das pessoas, o equivalente a 644,4 mil trabalhadores. No grupo das pessoas que ficaram em casa especificamente por causa da pandemia, a incidência do teletrabalho foi quase total: 98,8%.

Ausência no trabalho por causa da covid caiu a pique

No terceiro trimestre deste ano, 65 mil pessoas indicaram que não trabalharam no seu emprego principal durante as quatro semanas de referência do inquérito, por causa da pandemia. Comparando com o segundo trimestre do ano, o número de pessoas nestas condições caiu a pique: desceu 86,8%, o equivalente a menos 426,5 mil.

(Notícia atualizada às 11:52)

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