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Comissária designada pela Bulgária abandona palco político

A ministra dos Negócios Estrangeiros búlgara e comissária indigitada para a Ajuda Humanitária, Rumiana Jeleva, apresentou hoje a demissão dos dois cargos, livrando Durão Barroso de uma situação delicada que, em última análise, poderia conduzir ao chumbo da nova Comissão Europeia durante a votação no Parlamento Europeu marcada para o próximo dia 26.

19 de Janeiro de 2010 às 11:27

A ministra dos Negócios Estrangeiros búlgara e comissária indigitada para a Ajuda Humanitária, Rumiana Jeleva, apresentou hoje a demissão dos dois cargos, livrando Durão Barroso de uma situação delicada que, em última análise, poderia conduzir ao chumbo da nova Comissão Europeia durante a votação no Parlamento Europeu marcada para o próximo dia 26.

"Acabo de saber com tristeza que Rumania Jeleva decidiu resignar ao seu cargo como ministra dos Negócios Estrangeiros da Bulgária e retirar a sua candidatura como comissária indigitada, por não ter conseguido suportar os ataques injustos que lhe foram feitos nas últimas semanas", disse o líder do Partido Popular Europeu, Joseph Daul, numa mensagem distribuída ao seu grupo parlamentar, citada pela agência Lusa.

A retirada de cena de Jeleva transformou-se na semana passada numa quase inevitabilidade, depois de o presidente da bancada socialista do Parlamento Europeu ter enviado uma carta a Durão Barroso dizendo o segundo maior grupo político de Estrasburgo não gostara da candidata búlgara a comissária da Ajuda Humanitária, e que queria outro nome em seu lugar.

“Informei o Presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso de que, para além das graves alegações de irregularidades financeiras que pendem sobre a Senhora Jeleva, o meu grupo considera que ela não é suficientemente qualificada para o cargo. Cabe-lhe (a Barroso) reflectir sobre esta matéria e retirar as devidas conclusões”, avisara o alemão Martin Schulz.

O Parlamento Europeu está desde segunda-feira da semana passada a passar a “pente fino” os 26 candidatos a comissários que, vindos de todos os Estados-membros da União Europeia, foram “sugeridos” pelos respectivos Governos para integrar o novo Executivo comunitário, que será liderado por Durão Barroso por mais cinco anos.

Até ao momento, a audição mais controversa foi precisamente a de Jeleva, antiga ministra búlgara dos Negócios Estrangeiros, cujo passado gerou duras perguntas vindas da bancada socialista, mas também da liberal e da dos Verdes. Já os conservadores do Partido Popular Europeu – o maior de Estrasburgo e no qual o partido de Jeleva se integra – falam de “caça às bruxas”, motivada por querelas políticas, e ameaçam pedir a “cabeça” de um candidato do campo político adversário.

A escalada de tensão entre facções políticas de Estrasburgo voltou a colocar Durão Barroso perante escolhas delicadas. Há cinco anos, perante uma situação em tudo semelhante, o presidente da Comissão Europeia decidiu não levar a sério os avisos, e acabou por ser obrigado a adiar, in extremis, a votação da sua equipa para evitar o que parecia ser um “chumbo” desastroso. No final, trocou dois comissários, um socialista ultra-conservador, entre os quais o italiano Rocco Buttiglione.

Não obstante os riscos, Durão Barroso voltou a defender a comissária designada búlgara Rumiana Jeleva, sustentando que esta dispõe de competência e de experiência adequadas para exercer o cargo.

Em carta dirigida ao Parlamento Europeu, o antigo primeiro-ministro português assinalava que Rumiana Jeleva lhe confirmara ainda que "a sua declaração de interesses [financeiros] está inteiramente exacta e completa".

Rumiana Jeleva, que parece ter o condão para alimentar controvérsias, acabou por sair pelo seu próprio pé. Em Novembro, a ministra búlgara dos Negócios Estrangeiros, mais tarde indigitada para comissária europeia da Ajuda Humanitária, dançou num programa televisivo, em poses que fizeram correr muita tinta.

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