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Nova fronteira de segurança? Satélites russos suspeitos de espionagem a equipamentos europeus

Um dos satélites da Rússia, lançado para o espaço em 2023, fez 17 aproximações a satélites europeus desde que está em operação. Roubo de informações que podem comprometer os próprios satélites é uma das potenciais consequências.

Vladimir Putin, Presidente da Federação da Rússia
Vladimir Putin, Presidente da Federação da Rússia Mikhail Metzel / Associated Press
14:00

Luch-1 e Luch-2. Os nomes não dirão muito ao comum dos mortais, mas têm dado dores de cabeça aos mais altos responsáveis de segurança europeus. Estas são as designações oficiais de dois satélites russos que, nos últimos meses, têm estado a fazer incursões junto de satélites europeus. E existe mesmo a crença que comunicações podem ter sido intercetadas através destas missões de espionagem espacial.

As potenciais interceções de comunicações feitas a satélites europeus podem comprometer dados sensíveis que os mesmos transmitiram, assim com a própria segurança dos equipamentos. Ambos os satélites russos são suspeitos de realizar "atividades de recolha de informação sensível de sinais", comentou Michael Traut, do comando espacial das forças armadas alemãs, ao jornal .

Nos últimos três anos, os satélites russos têm intensificado a "marcação" aos satélites europeus. Estas movimentações coincidem com o escalar das tensões entre os países da União Europeia (UE) e a Rússia, a propósito da invasão russa da Ucrânia.

O jornal sublinha que os satélites Luch-1 e Luch-2 têm feito "aproximações arriscadas" a alguns importantes satélites europeus. Segundo observações feitas a partir da Terra, houve situações em que os satélites russos mantiveram-se próximos dos satélites europeus durante várias semanas seguidas.

17aproximações
Número de incursões do satélite russo Luch-2 a equipamentos espaciais europeus desde que está em operação desde 2023

De acordo com os dados apurados, o Luch-2, que foi lançado para o espaço em 2023, fez 17 aproximações a satélites europeus em apenas três anos.

Uma fonte ouvida pelo jornal diz que os posicionamentos dos satélites russos face aos europeus colocam-nos dentro da zona técnica que torna possível a interceção de sinais de comunicação. E muitas destas comunicações não têm encriptação, devido à idade que alguns destes satélites já apresentam em operação.

Em causa pode estar o acesso aos próprios dados de comando dos satélites europeus e que são usados para controlar os equipamentos e as comunicações que realiza. Apesar de parte dos satélites europeus que foram abordados pelos equipamentos russos terem uma utilização mais civil (emissoras de televisão), outros são usados para algumas comunicações militares e governamentais. Um dos satélites mais visados pelas incursões russas foi o Intelsat 39.

"Eles [russos] visitaram as mesmas famílias [de satélites] e os mesmos operadores – podemos deduzir que têm um propósito ou interesse específico", comentou Norbert Pouzin, da empresa de análise de dados espaciais Aldoria.

Numa intervenção em setembro do ano passado, o ministro da defesa alemão, Boris Pistorius, já tinha destacado o tema da espionagem espacial como uma preocupação crescente. "As redes de satélites são o calcanhar de Aquiles das sociedades modernas. Quem as atacar pode paralisar países inteiros", considerou o político alemão, que já na altura falava de uma ameaça russa que "não pode ser ignorada".

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