Acordo comercial provisório da UE com os países do Mercosul entra em vigor a 1 de maio
A Comissão Europeia anunciou esta segunda-feira que o acordo comercial com os países do Mercosul vai entrar em vigor, de forma provisória, a partir de 1 de maio. A aplicação provisória do tratado visa ultrapassar o impasse criado pelo Parlamento Europeu, que enviou o documento para fiscalização do Tribunal de Justiça europeu, numa altura em que vários países sul-americanos já ratificaram o acordo.
O anúncio da data de entrada em vigor do acordo surge depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter comunicado, no final de fevereiro, que a União Europeia (UE) iria começar a aplicar provisoriamente o acordo com os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). A decisão, aprovada pelo Conselho Europeu, foi transmitida esta segunda-feira ao Paraguai, "guardião legal dos tratados do Mercosul", dando-se assim o passo processual final que era necessário para a aplicação provisória do acordo.
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Assim, o acordo vai ser aplicado provisoriamente, a partir de 1 de maio, às trocas comerciais entre a UE e todos os países do Mercosul que concluírem os procedimentos de ratificação e notificarem a UE até ao final de março. Até ao momento, a Argentina, Brasil e Uruguai já ratificaram o acordo e notificaram a UE. O Paraguai também já deu passos nesse sentido, tendo ratificado recentemente o acordo, mas tem ainda de notificar formalmente a Comissão Europeia para concluir o processo, algo que se espera que aconteça em breve.
A aplicação provisória vai garantir a eliminação de tarifas sobre determinados produtos "desde o primeiro dia, criando regras previsíveis para o comércio e o investimento", informa a Comissão Europeia, num comunicado enviado às redações. Recorde-se que o acordo assinado a 17 de janeiro prevê aumentar em 39% as exportações europeias para os países do Mersosul, que rondam os 50 mil milhões de euros anuais, prevendo medidas de proteção especiais para setores sensíveis da UE.
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"Hoje damos um passo importante na nossa credibilidade como um importante parceiro comercial. A prioridade agora é transformar este acordo UE-Mercosul em resultados concretos, oferecendo aos exportadores da UE a plataforma necessária para aproveitar novas oportunidades de comércio, crescimento e empregos. A entrada em vigor provisória vai-nos permitir começar a cumprir esta promessa", refere o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefcovic, citado no comunicado.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul cria a maior área de comércio livre do mundo, cobrindo um mercado potencial de 700 milhões de consumidores. Porém, o acordo não foi bem recebido por todos os Estados-membros, em especial por França, Países Baixos e Polónia, que temem que a criação desta nova área de comércio livre prejudique os agricultores.
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Sem abordar a polémica por detrás deste acordo, Maroš Šefcovic refere ainda que a sua aplicação provisória vai garantir também "uma colaboração mais forte entre a UE e o Mercosul em questões globais urgentes, como os direitos laborais e as alterações climáticas", e ajudar a criar "cadeias de abastecimento mais resilientes e fiáveis, cruciais, em particular, para o fluxo previsível de matérias-primas críticas", numa altura em que as tarifas estão a fragmentar a economia mundial.
"Espero ver este acordo concretizar todo o seu potencial, fortalecendo a nossa economia e reforçando a nossa posição no comércio global, ao mesmo tempo que concluímos todos os procedimentos democráticos", acrescenta.
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