União Europeia Johnson rejeita apontar comissário antes das legislativas britânicas

Johnson rejeita apontar comissário antes das legislativas britânicas

O embaixador do Reino Unido junto da União Europeia transmitiu a Bruxelas que o governo britânico não vai indicar o elemento requerido para completar a próxima Comissão Europeia. Boris Johnson só admite indicar um comissário depois das eleições parlamentares marcadas para 12 de dezembro.
Johnson rejeita apontar comissário antes das legislativas britânicas
Reuters
David Santiago 14 de novembro de 2019 às 12:38

O Reino Unido não vai nomear o respetivo comissário europeu antes das eleições gerais antecipadas para o próximo dia 12 de dezembro. Segundo noticia o site Politico, a informação foi transmitida pelo embaixador britânico junto da União Europeia, Tim Barrow, através de carta enviada, na noite desta quarta-feira, à Comissão Europeia.

O Brexit deveria ter-se concretizado a 31 de outubro, o que permitiria à nova Comissão assumir funções a 1 de novembro sem que a equipa chefiada pela presidente eleita do órgão executivo comunitário tivesse de estar representada pelo Reino Unido.

Contudo, o adiamento da saída britânica para 31 de janeiro, bem como a rejeição, pelo Parlamento Europeu, de três comissários propostos, fazem com que Londres tenha de indicar o respetivo elemento para integrar a próxima Comissão.

Von der Leyen insistiu recentemente para que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se apressasse a apontar um nome, tendo inclusivamente solicitado que se tratasse de uma mulher, para não afastar ainda mais a equipa da pretendida paridade. Um porta-voz de Downing Street disse recentemente que seria apontado um nome tal como requerido, contudo o primeiro-ministro Boris Johnson parece ter mudado de ideias.

Depois de Boris Johnson não ter conseguido levar a votação o seu acordo de saída alternativo, uma das condições colocadas por Bruxelas para conceder um terceiro adiamento do Brexit assentava precisamente na necessidade de Londres propor um comissário.

Esta situação deixa a UE a braços com um problema legal, já que no momento em que iniciar funções, a Comissão Europeia tem de representar todos os Estados-membros, que continuam a ser 28 até que o Brexit se consume.

Esta quinta-feira, o Parlamento Europeu faz as audições aos três comissários que ainda não receberam luz verde das respetivas comissões parlamentares. O objetivo de Von der Leyen passava por entrar finalmente em funções a 1 de dezembro, mas a não indicação de um nome pelo Reino Unido poderá implicar novo atraso. Ainda assim, a porta-voz adjunta de Von der Leyen, Dana Spinant, assegura, citada pela Lusa, que a presidente eleita mantém a intenção de que o novo colégio de comissários "assuma funções no dia 1 de dezembro", estando a ser analisados "os próximos passos" para concretizar esse objetivo.

Downing Street considera que não deve fazer qualquer nomeação em pleno período eleitoral. Por outro lado, Johnson poderá beneficiar eleitoralmente desta recusa, sobretudo junto do eleitorado mais fatigado relativamente ao moroso e conturbado processo do Brexit.

Têm sido os vários contratempos enfrentados por Von der Leyen, que ainda esta quarta-feira confirmou uma cedência a algumas exigências feitas pelo grupo parlamentar do S&D (centro-esquerda), designadamente ao aceitar mudar os nomes polémicos atribuídos a algumas pastas.




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