UE falha conclusão de acordo comercial com EUA. Há países que querem "travão" de emergência
Comissário europeu diz que tanto os países como os eurodeputados continuam comprometidos em encontrar um desfecho positivo para as negociações.
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O comissário europeu do Comércio disse esta quinta-feira esperar que os colegisladores da União Europeia, eurodeputados e países possam "alcançar rapidamente um resultado positivo" sobre a aplicação do acordo com os Estados Unidos, após negociações falhadas na noite passada.
"Na noite passada, passámos quase seis horas num importante trílogo sobre o regulamento tarifário que implementa a Declaração Conjunta UE-EUA entre a União Europeia e os Estados Unidos. [...] O trabalho intensivo continua entre a Comissão e os colegisladores para alcançar rapidamente um resultado positivo", escreveu Maros Sefcovic, numa publicação nas redes sociais.
"Continuo também em contacto próximo com os meus homólogos norte-americanos relativamente aos próximos passos do nosso processo legislativo, ao mesmo tempo que apelo à administração dos Estados Unidos para que cumpra os seus compromissos", acrescentou o responsável.
De acordo com Maros Sefcovic, "este investimento significativo de tempo e esforço sugere que se está a fazer progressos consideráveis [...], embora, naturalmente, nada esteja acordado até que tudo esteja acordado".
"O meu objetivo continua a ser triplo: em primeiro lugar, demonstrar que a UE [União Europeia] cumpre aquilo que promete e honra os seus compromissos e, em segundo lugar, assegurar um resultado que respeite plenamente a declaração conjunta UE-EUA", elencou.
Além disso, o comissário europeu da tutela disse querer "preservar os interesses das partes interessadas da UE, incluindo dotando a Comissão dos instrumentos necessários" para garantir que o acordo é implementado por ambas as partes.
A reunião entre as instituições da UE para tentar dar "luz verde" ao acordo comercial com os Estados Unidos, que começou na quarta-feira à noite, terminou na madrugada desta quinta-feira sem acordo, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor uma tarifa de 25% sobre os veículos europeus.
As divergências sobre a possibilidade de introduzir salvaguardas que permitam suspender a implementação do pacto caso Washington continue a ameaçar a UE impediram que o Conselho da UE (países) e o Parlamento Europeu (eurodeputados) chegassem a um entendimento.
Enquanto o Parlamento Europeu exige essas medidas - que países como Espanha, França, Finlândia ou Luxemburgo também veem com bons olhos - outro grupo de governos, liderado pelo alemão, opõe-se a essa possibilidade.
Perante a falta de acordo, as instituições comunitárias voltarão a reunir-se o mais rapidamente possível nos próximos dias para tentar resolver as suas divergências.
Em julho de 2025, o executivo comunitário (que detém a competência comercial da UE) e os Estados Unidos chegaram a um acordo político que estabelecia um quadro de tarifas com um teto de 15% sobre a maioria das exportações europeias para os EUA e a eliminação de muitas tarifas norte-americanas sobre produtos industriais europeus.
Esse acordo, cuja ratificação tem estado em suspenso pelo Parlamento Europeu, visava restaurar a estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais transatlânticas.
Porém, na passada sexta-feira, Donald Trump ameaçou a UE com uma tarifa de 25% sobre a importação de veículos europeus, alegando que os 27 estão a atrasar o acordo comercial.
Bruxelas tem vindo a garantir esta preparada para lidar com tais pressões, sendo que uma das possibilidades em cima da mesa é a aplicação do instrumento anti-coerção, uma ferramenta comercial que permitiria à UE impor tarifas aos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros, caso falhem previamente os esforços diplomáticos para evitar uma escalada numa hipotética guerra comercial.
A UE estudou esta possibilidade em janeiro, durante a crise diplomática com os Estados Unidos relacionada com o controlo da Gronelândia, mas suspendeu-a durante seis meses após Donald Trump ter recuado na ameaça de impor tarifas aos países europeus que tinham enviado tropas para a ilha.