Patrões exigem do Estado plano para pôr o Douro a competir com o Reno e o Danúbio
Com a via a gerar 400 milhões de euros anuais e oito mil trabalhadores, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro defende a criação de um plano para o turismo fluvial. “Exigimos do Estado que esteja à altura desta responsabilidade”, afirma o seu líder, Mário Ferreira.
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O turismo fluvial na via navegável do Douro conta com 113 operadores e 252 embarcações, tendo no ano passado registado 16.974 eclusagens e mais de 31.500 escalas.
Com 1.388.646 passageiros registados em 2025, o que represente um crescimento contínuo pelo oitavo ano consecutivo e um impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) defende que “o Douro já não pode crescer sem estratégia: precisa de um plano nacional”.
Em causa está um setor que, de acordo com a associação liderada por Mário Ferreira, sustenta diretamente entre seis mil e oito mil postos de trabalho e que atrai anualmente centenas de milhares de turistas oriundos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, ou seja, mercados de alto valor e longa distância, com elevado impacto nas economias locais de todo o Vale do Douro.
Defendendo a criação de um “Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro, com horizonte 2030, envolvendo o Governo, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), as autarquias ribeirinhas e os operadores privados”, a AAMTD alerta que “um setor que vale 400 milhões de euros por ano e emprega mais de oito mil pessoas de forma direta não pode continuar a crescer sem um enquadramento estratégico que assegure a sua sustentabilidade, competitividade e capacidade de planeamento a longo prazo”.
A associação alerta, ainda, para “o risco de estrangulamento das infraestruturas críticas” da via navegável do Douro. “Com 16.974 eclusagens realizadas em 2025, mais 9% do que no ano anterior, e episódios de avaria documentados nas eclusas de Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo”, a AAMTD “exige ao Estado português um plano de investimento urgente nas infraestruturas fluviais”.
Segundo a mesma entidade, “a capacidade atual das eclusas representa já um limite estrutural ao crescimento do setor”, pelo que, afiança, “sem intervenção imediata corre-se o risco de comprometer a experiência dos turistas e a competitividade dos operadores nacionais face à concorrência europeia”.
Os dados de origem dos turistas reforçam a dimensão estratégica do setor: os principais mercados emissores são os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália, todos mercados de longa distância, “com elevada capacidade de gasto e forte propensão para o turismo de experiência”, com a AAMTD a defender que “Portugal deve usar esta posição competitiva única para afirmar o Douro como o destino de turismo fluvial de referência da Europa do Sul, em competição direta com o Reno e o Danúbio”.
A associação antecipa um crescimento contínuo do setor até 2030, com o aumento do número de operadores e da frota, e defende que “esse crescimento seja orientado por critérios de sustentabilidade ambiental, planeamento territorial e qualidade da experiência turística”, assumindo-se, “a partir de hoje, como voz ativa do setor junto do Governo, do Turismo de Portugal, da APDL e das comunidades intermunicipais do Douro”.
«O Douro não é apenas um rio. É uma via navegável de classe mundial que gera 400 milhões de euros por ano e emprega diretamente oito mil pessoas. A AAMTD existe para garantir que este ativo seja gerido com a inteligência, a ambição e a seriedade que ele merece. E exigimos do Estado português que esteja à altura desta responsabilidade”, afirma Mário Ferreira.
Fundada em 2018, a AAMTD representa os principais operadores da via navegável do Douro, incluindo a Douro Azul, a CroisiEurope, a Tomaz do Douro, a Rota Ouro do Douro e a Viking Cruises, num total de cerca de 33 associados que, em conjunto, são responsáveis pela esmagadora maioria dos aproximadamente 1,4 milhões de passageiros registados no ano passado.
(Notícia atualizada às 11:21)