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Catarina Martins: "Bloco quer muito que haja acordo, queremos um bom orçamento”

Para a coordenadora bloquista, "o mais importante de tudo é que haja um orçamento que responda às necessidades do país”. Na véspera de nova reunião com o Governo sobre o Orçamento do Estado para 2021, Catarina Martins não afasta um entendimento e garante que “o Bloco quer muito que haja acordo".

João Miguel Rodrigues
David Santiago dsantiago@negocios.pt 19 de Outubro de 2020 às 13:51
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O Bloco de Esquerda mantém em aberto a possibilidade de vir a entender-se com o Governo e ajudar a viabilizar o Orçamento do Estado para 2021. A garantia ficou explícita nas declarações feitas por Catarina Martins durante uma viagem ao Algarve, com a coordenadora bloquista a assegurar que "o Bloco quer muito que haja acordo, queremos um bom orçamento".

À margem de uma visita ao centro hospital universitário do Algarve, e em declarações transmitidas pela RTP3, Catarina Martins explicou que, para o Bloco, "o mais importante de tudo é que haja um orçamento que responda às necessidades do país". 

Depois de os bloquistas terem endurecido a posição negocial, apontando quatro "questões centrais" - impedir despedimentos nas empresas com lucros, mais profissionais para o Serviço Nacional de Saúde , travar mais injeções públicas no Novo Banco e uma prestação social que retire as pessoas da pobreza em tempos de pandemia - nas quais exigiam cedências ao Executivo, a líder do BE vem agora, na véspera de se encontrar com o Governo, mostrar que ainda há margem para viabilizar o OE2021. 

"O BE não diz que tem de ser esta medida ou aquela medida, mas diz que têm de ser respostas concretas para a vida das pessoas", disse pedindo "medidas concretas" e lembrando que os bloquistas anunciaram as "suas prioridades há muito tempo". No entender de Catarina Martins, o problema não passa por "saber onde é que [o BE] pode ceder", antes por "saber se construímos soluções para um orçamento para o país". 

Esta posição de Catarina Martins contrasta com aquilo que disse João Leão. Este fim de semana, em entrevista ao Dinheiro Vivo/TSF, o ministro das Finanças defendeu que sempre que o Governo se aproximou das pretensões dos bloquistas, "vieram novas exigências".

Numa altura em que é grande a tensão em torno das possibilidade de aprovação do próximo orçamento, uma sondagem da Intercampus para o Negócios e o CM/CMTV mostra que o Bloco terá sido o partido mais favorecido nas intenções de voto devido à abordagem adotada nas discussões acerca das contas públicas para 2021.

O Bloco só vai decidir o sentido de voto no orçamento a 25 de outubro, durante a reunião da Mesa Nacional do partido, ou seja, a três dias da votação do documento na generalidade. 

O Governo, pela voz do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, já recordou que o OE2021 pode ser viabilizado à esquerda, ainda que sem a colaboração dos bloquistas, pois bastam PCP, PEV e PAN. No entanto, já esta manhã, o deputado e líder do PAN, André Silva, avisou que, "neste momento" e tal como está, afigura-se "bastante difícil" que o partido possa viabilizar o orçamento.

Esta terça-feira, o primeiro-ministro António Costa vai reunir-se com o Bloco e também com o PCP e o PAN para aprofundar o diálogo e tentar assegurar o apoio (ou abstenção) destes partidos. Para quarta-feira está ainda prevista uma reunião com Os Verdes.

(Notícia atualizada)

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