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Proposta do BE para Novo Banco "é perigosa e revela nervosismo", acusa PS

João Paulo Correia, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, diz que a ideia do Bloco de Esquerda para resolver as necessidades de capital do Novo Banco põe em causa a instituição financeira.

LUSA
Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 02 de Outubro de 2020 às 17:27
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"Entendemos que essa proposta é perigosa e revela nervosismo do BE em relação ao Novo Banco" – é assim que João Paulo Correia, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, reage à sugestão lançada esta sexta-feira pelos bloquistas, de colocar os bancos a injetar dinheiro diretamente na instituição liderada por António Ramalho, sem passar pelo Fundo de Resolução.

As negociações do Orçamento do Estado para 2021 continuam marcadas pelo impasse em torno da questão do Novo Banco. Esta sexta-feira, Mariana Mortágua, deputada do BE, apresentou a ideia que o partido tem defendido junto do Governo. Primeiro: o Estado não se deve comprometer a injetar mais dinheiro no Novo Banco sem ter os resultados de uma auditoria que verifique se o Lone Star está a cumprir os termos do contrato. Segundo: se essa auditoria vier demonstrar que há de facto justificação para a necessidade de injetar dinheiro na instituição financeira para cobrir mais perdas, essas verbas devem ser colocadas diretamente pelos bancos, sem que o Fundo de Resolução interfira.

"O BE está a acrescentar todos os dias linhas vermelhas à questão do Novo Banco", acusa João Paulo Correia. "O Bloco foi sempre contra que o Estado emprestasse ao Fundo de Resolução. Agora o Governo ultrapassou essa questão e o BE acrescentou outra", critica o deputado em declarações ao Negócios.

João Paulo Correia refere-se à exigência dos bloquistas de não permitir que o Fundo de Resolução injete dinheiro no Novo Banco, mesmo que se vá financiar na banca, em vez de junto do Estado. Esta exigência é feita porque seja qual for a fonte de financiamento, se o Fundo de Resolução entregar mais dinheiro ao Novo Banco, essa operação terá sempre impacto no défice orçamental e na dívida pública, porque o fundo é uma entidade pública.

"Esta trajetória do BE é perigosa porque é mais uma linha vermelha para criar um impasse, afeta mais o Novo Banco e afeta o sistema financeiro", frisa o deputado socialista. É que no entender do PS, se os bancos entregarem dinheiro diretamente ao Novo Banco, ficando com uma pequena participação, isso significa que o Novo Banco está a assumir que precisa de novos acionistas e que está a falhar o seu plano estratégico. Nesse caso, diz João Paulo Correia, o Mecanismo Único de Supervisão, deverá rever os rácios de capital que lhe são exigidos, resultando em necessidades de capital ainda mais elevadas.

"São soluções perigosas que destroem o banco", dramatiza o deputado, lamentando que as outras frentes da negociação do Orçamento do Estado, que "têm avanços", não estejam a ser valorizadas.
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