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2014: Um ex-primeiro-ministro foi preso e espera ainda uma acusação

Passaram dois anos e meio desde a noite em que José Sócrates, chegado de Paris, foi detido no aeroporto de Lisboa. A investigação contra si, que já então teria alguns meses, ainda continua. Está indiciado por corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Passaram dois anos e meio desde a noite em que José Sócrates, chegado de Paris, foi detido no aeroporto de Lisboa. A investigação contra si, que já então teria alguns meses, ainda continua. Está indiciado por corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Sócrates aguarda actualmente em liberdade que lhe seja deduzida a acusação. João Miguel Rodrigues/CM
Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 31 de Maio de 2017 às 12:00
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A notícia caiu que nem uma bomba: José Sócrates, ex-primeiro-ministro, tinha sido detido no aeroporto de Lisboa, à chegada de Paris. Era o dia 21 de Novembro de 2014 e ninguém sabia bem o que se passara, mas as televisões começaram de imediato a transmitir em contínuo e só muito tempo depois o tema sairia das primeira páginas dos jornais, onde, volta e meia, ainda regressa. Dois anos e meio depois, muito aconteceu, muito se disse e escreveu e José Sócrates mantém a sua condição de arguido ainda à espera de uma acusação formal pelo Ministério Público.

Depois da mediática detenção e de muitos interrogatórios, a Procuradoria-geral da República começou a levantar o véu sobre as suspeitas: Sócrates teria estado envolvido em vários crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Com ele, outros três arguidos: Carlos Santos Silva, empresário da Covilhã e seu amigo de infância; João Perna, motorista; e Gonçalo Trindade Ferreira, advogado.

Conhecidas as medidas de coacção, uma nova bomba: o ex-governante iria continuar detido em prisão preventiva. O primeiro ex-líder de Governo nessas condições, um escândalo como antes nunca visto na política portuguesa.

Sócrates rumou então ao Estabelecimento Prisional de Évora, onde normalmente ficam arguidos que precisam de uma protecção especial. Estava lançada a Operação Marquês - era na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa, a casa do ex-primeiro-ministro - e havia um preso 44, cujo nome galgava fronteiras: José Sócrates.

A prisão em Évora durou nove meses, durante os quais o arguido se desdobrou em recursos e pedidos de Habeas Corpus, sempre sem qualquer sucesso. Foi proibido de dar entrevistas na prisão, mas escreveu longas cartas às televisões e aos jornais, sempre proclamando a sua inocência e classificando a investigação contra si de absurda, injusta e injustificada.

E entretanto, da investigação iam saindo pormenores para as páginas dos jornais. Sobre a casa de Paris que afinal não seria do amigo, mas dele próprio, sobre o livro que não terá escrito e do qual Carlos Santos Silva comprou centenas de exemplares, das férias milionárias pagas também por Santos Silva. E, depois, também das ligações ao BES ou à PT e muitas outras ramificações. Dezenas e dezenas, talvez centenas de histórias, milhares de notícias e acusações, muitas, de Sócrates e do seu advogado, João Araújo, de que estaria a ser violado o segredo de justiça.

Pelo caminho a Operação Marquês foi engordando em número de arguidos. Paulo Lalanda Castro, da Octapharma (empresa para a qual Sócrates trabalhara); Joaquim Barroca, administrador do Grupo Lena; Armando Vara, ex-ministro socialista; Ricardo Salgado, ex-patrão do BES; entre outros. São agora 28, dos quais 19 são pessoas e nove empresas.

A prisão preventiva passou a domiciliária, esta acabou também por ser levantada e José Sócrates aguarda em liberdade que o Ministério Público deduza - ou não - uma acusação contra si. Uma ano depois da detenção, Rosário Teixeira obteve da PGR a primeira de várias prorrogações do prazo para terminar o inquérito. Sem arguidos já detidos e, portanto, sem imposição de prazos imperativos, este continua ainda, passados quase dois anos e meio. Em Abril de 2017 foi autorizada mais uma prorrogação. Rosário Teixeira, procurador responsável pela investigação, tem agora até "três meses a contar da recepção da última carta rogatória". Ou seja, não tem, na prática, um prazo definido. José Sócrates espera.


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