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Operação Matrioskas já fez seis arguidos

Há quatro indivíduos e duas pessoas colectivas que foram já constituídos arguidos no âmbito da investigação à SAD da União de Leiria, confirma a PGR. Benfica e Braga admitem buscas e dizem que estão fora da investigação.

Estádio de Leiria: Construído para albergar o Euro 2004, e ficando como um dos mais caros, tem a assinatura de Tomás Taveira. É utilizado pelo União de Leiria, mas é de gestão municipal. Com capacidade para mais de 20 mil pessoas, o Estádio Dr. Magalhães Pessoa custa 16.500 euros por dia e seis milhões por ano.
Bruno simão
Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 03 de Maio de 2016 às 16:43
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"Na sequência das diligências realizadas foram, até ao momento, constituídos seis arguidos, quatro pessoas singulares e duas colectivas", no âmbito da Operação Matrioskas, disse ao Negócios fonte oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entretanto, confirmou fonte judicial ao Negócios, três dos arguidos são o presidente da SAD leiriense, Alexander Tolstikov e duas instituições: a própria sociedade anónima desportiva e o clube União de Leiria.

 

Ficou a saber-se esta terça-feira, 3 de Maio, que a Polícia Judiciária(PJ) está a investigar suspeitas de branqueamento de capitais por parte a SAD do União de Leiria. Em causa estarão investimentos russos que, através de um país báltico, foram efectuados nos últimos dois anos no clube leiriense, apurou o Negócios junto de fonte judicial. Na sequência da investigação, foram também a ser efectuadas buscas nas SAD do Benfica, Sporting e Braga, mas nenhum destes clubes é directamente visado na investigação, garantiu a mesma fonte.

 

Isso mesmo vieram já dizer o Benfica e o Braga. O clube da Luz confirmou à Agência Lusa que a Polícia Judiciária solicitou "documentação em relação a duas transacções efectuadas com terceiros, no âmbito de uma operação de investigação em que a Benfica SAD não é visada". O Benfica acrescentou também que "toda a documentação solicitada foi facultada".

 

Também o Braga, num comunicado na sua página, confirma que a Polícia Judiciária "se deslocou esta manhã ao Estádio Municipal de Braga a fim de obter a sua cooperação no âmbito de uma investigação criminal em curso". No entanto, "nem a SC Braga – Futebol SAD nem qualquer um dos seus representantes ou colaboradores são visados na investigação referida, tendo prestado todas as informações solicitadas e demonstrado total disponibilidade para cooperar com as entidades competentes", referem os responsáveis.


De acordo com a CMTV, que avançou a notícia em primeira mão, a Polícia Judiciária procurava  "contratos de jogadores russos que foram adquiridos ao clube de Leiria". Estes documentos deveriam conter informação que alimente a investigação à SAD do Leiria.

 

"A investigação desenvolve-se desde o início de 2015, tendo por objecto a presumível prática de crimes de branqueamento, fraude fiscal, falsificação de documentos e associação criminosa por parte de cidadãos nacionais e estrangeiros, correlacionados com a actividade desportiva", adiantou a PJ em comunicado.

 

Foram realizadas 22 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que, diz a PJ, "permitiram apreender material com relevante interesse probatório e subsequente constituição de pessoas individuais e colectivas como arguidas". Além das SAD dos vários clubes, foram efectuadas buscas em residências particulares, empresas, veículos, escritórios de contabilidade e um escritório de advocacia.


Ainda segundo o Correio da Manhã, "o alvo de todas as suspeitas é o maior accionista da SAD, a empresa DS Investment LLP, do grupo russo D-Sports, que detém a maioria do capital". 

O Correio da Manhã escreve também que as autoridades suspeitam que os empresários que detêm a SAD do União de Leiria lavam milhões de euros em território nacional "com proveniência no crime organizado, sob a fachada dos negócios do futebol".


De acordo com informação disponível no site do clube de Leiria, o presidente do Conselho de Administração do clube é Alexander Tolstikov, que tem também um dos cargos de administrador. O União de Leiria tem mais três administradores: Yuri Zaitsev, Rui Lisboa e Vitor Silva. O Director Executivo é Pedro Violante.

 

A operação Matrioskas envolve 22 equipas da Polícia Judiciária, bem como um magistrado do Ministério Público, um magistrado judicial e um representante da Ordem dos Advogados. O inquérito encontra-se em segredo de justiça e o Ministério Público e a Polícia judiciária estão também a trabalhar com membros da Autoridade Tributária.

(notícia actualizada às 17:39 com referência às identidades de três dos arguidos)
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