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Sócrates acusa Cavaco de conspirar, mentir e ser um homem "capaz de tudo"

Mentiras, conspiração, mesquinhez, traição. É disso tudo que José Sócrates acusa Cavaco Silva de ter feito no livro "Quinta-feira e outros dias", com o objectivo de o pôr fora da política.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2017 às 22:16
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O livro de Cavaco Silva foi o mote para a entrevista de José Sócrates à TVI, onde se foi, nas suas palavras, defender. "A partir de agora não deixarei de me defender sempre que me acusarem", concluiu Sócrates a entrevista, depois de ter acusado o ex-Presidente de mentir e de ter conspirado contra o PS e contra o próprio ex-primeiro-ministro. 

O relato que Cavaco Silva fez, no livro, das reuniões mantidas com o então primeiro-ministro às quintas-feiras foram, segundo palavras de Sócrates, deturpadas, e Cavaco "falou à verdade".

O episódio das escutas - que resultou numa notícia de que o então Presidente tinha a convicção de que estava a ser escutado - foi o ponto de viragem na relação entre Cavaco, Presidente, e Sócrates, primeiro-ministro, e aconteceu em plena campanha para conspirar contra o PS. Cavaco Silva diz que, no livro, que a notícia das escutas resultou da máquina socialista, para envolver o Presidente nas eleições, mas Sócrates diz haver provas de que partiu de Belém, precisamente com o propósito contrário: conspirar contra o PS.

"O senhor Presidente mente no livro", disse esta noite à TVI José Sócrates, afirmando sentir repugnância pelo que diz ser a arquitectura de uma "tramóia para tramar um adversário político, para o seu partido ganhar eleições". Sócrates não tem dúvida de que "houve conspiração" e, por isso, acusa Cavaco: "É um homem capaz de fazer tudo, de construir uma história inventada para colocar nos jornais para o adversário perder, utiliza métodos infames. Isto não se faz".

Além deste episódio das escutas, José Sócrates acusa o ex-Presidente de ter contribuído para a queda do Governo de que fez parte, depois de chumbado o PEC IV na Assembleia da República. Cavaco diz, no livro, que não sabia das negociações em Bruxelas, acusando Sócrates de deslealdade democrática. Sócrates devolve a acusação, dizendo que Cavaco esteve também por detrás da crise política de 2011. 

Assim, Sócrates garantiu na TVI que "este livro não passa de um traiçoeiro, vil e mesquinho ataque contra mim, um ataque político ao adversário". E aproveitou para voltar a afirmar que o inquérito do Ministério Público tem, também ele, motivação política: visava "pôr-me fora da vida política, calarem a minha voz, impedir a minha candidatura à Presidência", que Sócrates diz que não era real, mas que a "direita política" pensava que era.
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