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A greve geral na Argentina contada em imagens. Reforma laboral de Milei contestada

A greve de 24 horas foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), o maior sindicato do país, e pela Central Sindical dos Trabalhadores da Argentina (CTA).

07:32

Uma greve geral em protesto contra a reforma laboral promovida pelo Presidente da Argentina, Javier Milei, paralisou na quinta-feira os transportes públicos, hospitais, portos e escolas em todo o país.

Centenas de manifestantes concentraram-se também em frente ao Congresso argentino, numa altura em que a câmara baixa (Câmara dos Deputados) analisa uma reforma laboral já aprovada pelo Senado.

Com o edifício do Parlamento completamente cercado e protegido pelas forças de segurança, membros de organizações sociais e políticos de esquerda e vários sindicatos exibiram bandeiras e cartazes e entoaram slogans contra a reforma sem precedentes que, a ser aprovada, traria mudanças significativas para as relações laborais no país sul-americano.

O protesto em frente ao Congresso coincidiu com o início do debate sobre o projeto de lei e com uma greve geral, a quarta convocada pelos sindicatos desde que Milei assumiu a presidência da Argentina, no final de 2023.

A greve de 24 horas foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), o maior sindicato do país, e pela Central Sindical dos Trabalhadores da Argentina (CTA).

Os sindicatos argumentam que a reforma reduz os direitos dos trabalhadores, enquanto os líderes empresariais são, em geral, favoráveis ao projeto, mas alertam que a criação de emprego formal exige crescimento económico através do aumento do crédito e do investimento, bem como um mercado interno mais robusto.

O projeto chega à Câmara dos Deputados com uma modificação em relação ao texto aprovado pelo Senado em 12 de fevereiro e, por isso, se receber a aprovação dos deputados a iniciativa terá de regressar ao Senado para debate.

A greve, que afeta, entre outras atividades, o transporte de passageiros, a indústria e as operações de comércio externo, tem um nível de participação "muito significativo", segundo Jorge Sola, um dos secretários-gerais da CGT. Por sua vez, a Associação dos Trabalhadores do Estado, o maior sindicato de funcionários públicos do país, afirmou que a taxa de adesão à greve entre os seus membros é de 98%.

A maioria das linhas de autocarros e de metro parou, as fábricas interromperam a produção, os bancos fecharam, as companhias aéreas cancelaram centenas de voos e os hospitais públicos adiaram todas as cirurgias, exceto as de urgência. O lixo acumulou-se nas ruas e nas zonas comerciais.

Milei considera a reforma das leis laborais argentinas, em vigor há meio século, crucial para os seus esforços em atrair investimento estrangeiro, aumentar a produtividade e impulsionar a criação de emprego num país onde cerca de dois em cada cinco trabalhadores trabalham fora dos registos.

Os sindicatos argumentam que a lei irá enfraquecer as proteções laborais de longa data, incluindo a redução das indemnizações por despedimento, que tradicionalmente são elevadas, a restrição do direito à greve, a facilitação do despedimento de funcionários pelas empresas e o alargamento do horário de trabalho legal de oito para doze horas.

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