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Zimbabué sem dinheiro para pagar salários à função pública

Crise de liquidez obriga a adiar pagamentos. Médicos e professores já ameaçaram fazer greves. Por agora, só os soldados receberam os ordenados de Dezembro.

Bloomberg
Ana Serafim anaserafim@negocios.pt 28 de Dezembro de 2015 às 16:41
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O governo do Zimbabué adiou o pagamento dos salários de Dezembro à maioria dos seus funcionários públicos para o início de Janeiro devido à crise de liquidez que tem afectado o país.

O atraso já está a motivar a contestação de médicos nos hospitais públicos e dos professores, que ameaçam com greves em 2016, caso os vencimentos não sejam liquidados até ao final do ano.

"O nosso ordenado de Dezembro e o subsídio terá de ser pago até ou a 31 de Dezembro, caso contrário, os nossos membros não estarão disponíveis para cumprir os seus deveres laborais a partir de 1 de Janeiro de 2016", já assegurou a Associação de Médicos do Zimbabué, citada pela Reuters.

O ministro das Finanças, Patrick Chinamasa, garantiu esta segunda-feira, 28 de Dezembro, que os salários dos professores e de outros profissionais da educação seriam pagos amanhã, terça-feira.


Mas assumiu que os restantes funcionários públicos só deverão receber a 6 de Janeiro, e não a 29 de Dezembro, como habitualmente.


O Governo também ainda não deu indicações quanto ao prazo previsto para pagar os subsídios, equivalentes a um mês de ordenado, que normalmente são liquidados em Novembro.


Segundo a Reuters, o Zimbabué gasta 80% do seu orçamento para pagar ao exército, polícias, professores e enfermeiros. Por mês desembolsa cerca de 237 milhões de euros para remunerar os seus mais de 300 mil funcionários públicos.


Por agora, só os soldados receberam o ordenado de Dezembro.


Os últimos tempos têm sido conturbados para a economia do país. Depois da hiper-inflação, que obrigou o governo de Harare a trocar o dólar do Zimbabué por divisas estrangeiras para conter a escalada dos preços - chegavam a subir duas vezes por dia -, passou por uma crise deflacionária e pelo abandono da capacidade produtiva do país.


Para alimentar a despesa pública, o Estado depende inteiramente das verbas amealhadas através de impostos, já que credores como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial só voltarão a abrir a torneira dos empréstimos quando o país liquidar as suas dívidas.


Porém, os cofres públicos estão agora menos cheios, devido ao arrefecimento económico provocado pela quebra dos preços das matérias-primas e pelo elevado desemprego.

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