Política Monetária Ainda não foi desta: BCE mantém juros, mas antecipa descida

Ainda não foi desta: BCE mantém juros, mas antecipa descida

O BCE vai esperar pela Fed para atuar. A economia vai passar o verão sem mais estímulos, mas setembro poderá ser um mês quente no que toca à política monetária na Zona Euro.
Ainda não foi desta: BCE mantém juros, mas antecipa descida
Reuters
Tiago Varzim 25 de julho de 2019 às 12:45
O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quinta-feira, 25 de julho, as taxas de juro diretoras inalteradas - e assim deverão ficar até ao final do primeiro semestre de 2020. O conselho de governadores, onde está o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, não se quis antecipar à Reserva Federal que reúne-se na próxima semana também com a expectativa de redução de juros.

Apesar de não mexer nos juros diretores, para já, o banco central preparou os mercados para a reunião de setembro com uma atualização do 'forward guidance' (indicação sobre o futuro da política monetária). Anteriormente, o BCE admitia apenas que os juros iam ficar no mesmo nível até ao final do primeiro semestre de 2020.

Agora admite que os juros vão ficar no mesmo nível ou "em níveis mais baixos" até ao final do primeiro semestre de 2020. Esta pequena alteração faz toda a diferença para a interpretação dos mercados, antecipando-se assim uma redução dos juros na reunião de setembro. 

BCE estuda "novo programa de compra de ativos"
Além disso, o banco central dá um passo que abre a porta à introdução de mais estímulos. O conselho de governadores decidiu examinar as opções em cima da mesa, "incluindo formas de reforçar o seu 'forward guidance' nos juros diretores, medidas mitigadoras, como o desenho de um sistema 'tiered' para a remuneração das reservas [dos bancos], e opções para o tamanho e composição de um potencial novo programa de compra de ativos". 

Começa assim o estudo das hipóteses que o BCE tem para estimular a economia: uma descida dos juros, que teria um sistema para não afetar tanto os bancos; e um regresso do programa de compra de ativos, nomeadamente dívida pública dos Estados da Zona Euro. É expectável uma decisão sobre estas opções no encontro de setembro - a penúltima reunião antes da saída de Draghi - onde haverá uma atualização das projeções dos técnicos do BCE para o PIB e a inflação na Zona Euro. 

Recorde-se que a caminho já está a terceira ronda do programa de financiamento de longo-prazo à banca europeia. O TLTRO III, como é apelidado, terá início em setembro deste ano e fim em março de 2021, tendo como objetivo é estimular a concessão de crédito dos bancos aos agentes económicos e, assim, estimular a economia e a inflação.

Às 13h30 (hora de Lisboa), Mario Draghi - que abandonará o cargo em outubro - irá explicar as decisões do conselho de governadores do BCE em conferência de imprensa.

Assim, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0%, 0,25% e −0,4%, respetivamente. Há mais de cinco anos que a taxa de juro de depósito está em níveis negativos. 

Euro e juros em baixa, bolsas e banca em alta
A decisão do Banco Central Europeu foi ao encontro do esperado pelos mercados. Na expectativa de que os juros vão descer - logo o "preço" do dinheiro vai descer" - o euro está a cair 0,3% para os 1,1106 dólares, atingindo um mínimo de maio de 2017, ou seja, dois anos.

O "potencial" novo programa de compra de ativos está a beneficiar os juros cobrados pelos investidores para emprestar aos Estados que partilham o euro. No mercado secundário, os juros associados às obrigações soberanas estão em queda. No caso da Alemanha, os juros a dez anos atingiram um mínimo histórico de -0,41%. 

Por outro lado, as bolsas subiram na expectativa de que o custo do financiamento continue baixo na Zona Euro e possa reduzir-se ainda mais, o que tende a estimular o investimento em ativos de maior risco (e com maior retorno) como as ações de empresas.

Um dos setores que mais reagiu foi o da banca: os juros ainda mais baixos penalizam os lucros dos bancos europeus, mas a possibilidade de haver um sistema de 'tiering' (um sistema de escalões nos juros dos depósitos, que varia consoante os montantes que os bancos depositam no banco central) ajuda a colmatar esse impacto negativo.

(Notícia atualizada às 13h29 com atualização da cotação do euro)



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