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Banco de Inglaterra mantém juros e corta previsões na última reunião de Carney

Um dia antes de se concretizar oficialmente o Brexit, o banco central britânico decidiu manter os juros diretores. Mas há sinais de que poderá descer em breve: a previsão para o PIB foi revista em baixa.

Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra (BOE)
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 30 de Janeiro de 2020 às 12:11
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Na última reunião do governador Mark Carney, o comité que decide a política monetária do Banco de Inglaterra manteve esta quinta-feira, 30 de janeiro, os juros diretores nos 0,75%, nível em que estão desde a subida de agosto de 2018.

Contudo, há sinais de que uma redução pode estar para breve. Desde logo porque dois - Michael Saunders e Jonathan Haskel - dos nove membros do comité votaram contra a decisão, preferindo uma descida. Além disso, o banco central decidiu rever em baixa o crescimento de 2020 de 1,25% (novembro) para 0,75% (janeiro). As projeções de crescimento para 2021 e 2022 também foram revistas em baixa.

Além disso, a inflação só deverá atingir os 2% em 2021. Mas sem um corte nos juros as projeções dos mercados monetários mostram que pode continuar abaixo desse nível no próximo ano. Ambas as previsões assumem que o Reino Unido terá um acordo comercial livre com a União Europeia após o fim do período de transição a 31 de dezembro deste ano.

Outra mudança importante é que o Banco de Inglaterra deixou cair o "guidance" (indicação sobre o rumo futuro da política monetária) sobre o "aperto gradual" das condições financeiras. Agora o comunicado apenas refere que "algum aperto modesto" pode vir a ser preciso.

Segundo a Bloomberg, esta quinta-feira os investidores atribuíam 45% de probabilidade para uma descida dos juros. Esta é a maior divisão entre os investidores sobre uma decisão durante o mandato de Mark Carney. As "apostas" chegaram aos 70% nas últimas semanas, mas baixaram assim que foram divulgados dados económicos mais positivos.

Após a reunião, o mercado monetário passou a prever uma descida dos juros de 25 pontos base em novembro.

Reunião pós-Carney e pós-Brexit realiza-se em março
A próxima reunião do Banco de Inglaterra a 26 de março já contará com Andrew Bailey como governador, o qual entra em funções a 16 de março. Assim, caso seja necessária uma resposta da política monetária após a saída do Reino Unido da União Europeia (23h em Londres desta sexta-feira, 31 de janeiro), já será o sucessor de Carney a tomar a decisão.

Também em março, o Governo deverá apresentar o primeiro orçamento da legislatura, do qual se espera que acabe totalmente a austeridade no país. Esse estímulo orçamental ainda não está contabilizado nas projeções atuais, assim como o potencial impacto do coronavírus. Tal como a Fed disse ontem, também o Banco de Inglaterra considera que é preciso esperar para ver o real efeito na economia, para lá do impacto nos preços dos ativos (ações e obrigações principalmente). 

Por um lado, o Banco de Inglaterra considera que a confiança dos empresários aumentou após a vitória de Boris Johnson em dezembro, o que reduziu a incerteza de curto-prazo relacionada com o Brexit. Por outro lado, os responsáveis continuam a ver poucas pressões inflacionistas e temem que o crescimento da economia seja mais fraco, o que está refletido na revisão em baixa das projeções do PIB.

O texto da reunião admite que poderão ser necessárias medidas para reforçar a esperada recuperação da economia britânica, principalmente se os sinais positivos não forem contínuos e os preços domésticos continuarem "relativamente fracos". Ao contrário da Reserva Federal norte-americana e o Banco Central Europeu, o Banco de Inglaterra não introduziu mais estímulos no ano passado.

Em reação à decisão, a libra valorizou mais de 0,5% face ao dólar, após ter acumulado cinco sessões consecutivas de quedas.

(Notícia atualizada às 12h42 com mais informação)
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